
Land of the Free, Home of the Brave
Tabela de Conteúdos
Primeiro vieram pelos socialistas, e eu não falei - Porque não era socialista.
Depois vieram pelos sindicalista, e eu não falei - Porque não era sindicalista.
Depois vieram pelos judeus, e eu não falei - Porque não era judeu.
Por fim vieram por mim - e já não havia ninguém para falar por mim.
A citação acima é de um pastor alemão chamado Martin Niemöller (1892–1984) proclamadas em 1946 já após a vitória dos aliados na Segunda Guerra Mundial. Actualmente estas palavras estão em destaque na exposição permanente no Museu Americano de Memorial ao Holocausto em Washington D.C. e servem como recordação daquilo que o Mundo viveu entre 1933, altura da ascensão de Hitler ao poder e 1945.
Infelizmente, o mundo em que vivemos hoje assemelha-se muito ao que muitos viveram no pré-guerra dos anos 30. Atualmente, assistimos a um grupo de indivíduos com poder excessivo a criar narrativas com o objectivo primário de nos dividir e criar políticas cada vez mais restritivas.
Vem isto tudo a propósito de Mahmoud Khalil e Jessica Brösche… Duas histórias que merecem ser contadas.
Quem é Mahmoud Khalil? #
Mahmoud Khalil nasceu na Síria em 1995, refugiado no Líbano aos 18 anos e imigrado para os Estados Unidos em 2022 com um visto de estudante. Entretanto em 2024 recebeu o seu green card o que lhe confere - a ele e todos os detentores de green card - o estatuto de residente permanente nos Estados Unidos. Estava, até há dias, no caminho correcto para pedir a cidadania americana.
Tudo mudou no dia 8 de Março. Quando Khalil e a esposa chegavam a casa depois do jantar, foi abordado por agentes do ICE - Immigration and Customs Enforcement - que lhe pediram para confirmar a sua identidade, o que este fez. Após a esposa ter sido “aconselhada” a entrar em casa ou seria presa, Khalil ligou à sua advogada. O agente informa a advogada de que o visto de estudante de Khalil seria revocado. A advogada informa o agente que Khalil tem autorização de residência permanente. Surpreendido, o agente informa então a advogada que a irão revocar o green card. Quando a advogada de Khalil, Amy Greer, informou o agente que precisava ver um mandado antes que Khalil possa ser detido, o agente do ICE desligou a chamada. Khalil foi algemado e colocado à força num carro descaracterizado.
No dia seguinte, ao tentar visitar Khalil no centro de detenção em Nova Jersey, foi informada que Khalil não estava detido lá mas sim no Luisiana, a mais de 2.000 kms de distância.
É importante notar que Khalil ainda não foi acusado de qualquer crime e não está indiciado de ter participado em alguma actividade ilegal que seja proibida a residentes dos Estados Unidos e que, pelo menos até hoje, a liberdade de expressão e a liberdade de protesto é algo garantido pela Constituição Americana.
Porque é que Khalil foi detido? #
Em 2024, assistimos a uma série de protestos Pró-Palestina no campus da Universidade de Columbia em Nova Iorque. Em Abril, cerca de 50 tendas foram montadas no campus em solidariedade com Gaza, exigindo à Universidade que rompa qualquer tipo de laço com Israel. Este acampamento acabou por ser desmantelado quando o presidente da Universidade autorizou o Departamento de Polícia de Nova Iorque a entrar no campus seguindo-se uma onda de prisões.
Este movimento Pró-Palestina foi crescendo na Universidade e Khalil é visto como um membro activo do mesmo, agindo como negociador, participando em manifestações e dando entrevistas públicas partilhando as suas críticas ao zionismo e outros actos de discriminação.
A tentativa de deportar Khalil está neste momento suspensa por decisão de um juiz de Nova Iorque e Khalil será ouvido por um juíz de imigração do Luisiana no final deste mês.
Quem é Jessica Brösche? #
Jessica Brösche é uma turista alemã que foi detida pelas autoridades de imigração dos Estados Unidos (ICE) quando tentava entrar nos Estados Unidos após umas férias em Tijuana, México, a 25 de Janeiro.
Jessica, que viajava com equipamento para fazer tatuagens - a sua profissão - foi detida sobre o pretexto de que tentava entrar no país para trabalhar no mesmo ilegalmente. Em defesa dos agentes de alfândega que processaram a turista e a detiveram, podemos dizer que pode ter havido um qualquer desentendimento já que Jessica tinha como objectivo tatuar a sua amiga Lofving. Tal como esta explicou à CNN:
Jessica vinha para trabalhar, sim, mas não para ganhar dinheiro. Temos um acordo entre artistas e ela é uma das minhas melhores amigas. Estamos a trabalhar neste projecto há cinco ou seis anos e em troca eu faço roupas para ela.
Detida há mais de seis semanas - incluindo oito dias em solitária - Jessica ainda não foi libertada, apesar de não ter cometido qualquer crime, e aguarda a sua deportação para a Alemanha.
A sua deportação estava agendada para 11 de Março, mas ao dia de hoje ainda não aconteceu.
O que estas histórias têm em comum? #
Quando o Donald Trump, o babuino laranja, se candidatou pela segunda vez à presidência americana, fez da deportação em massa uma das suas mais fortes bandeiras.
Segundo ele, os Estados Unidos não tolerariam mais a entrada de migrantes ilegais no país e prometia uma deportação nunca antes vista a todos os ilegais residentes no país.
Os dois casos reportados acima são já um reflexo da aplicação da política cega no tratamento à entrada de cidadãos não-nacionais em território americano.
A juntar a este aperto na política de imigração, temos também a volta de 180 graus na política externa americana, como fica fielmente espelhado na tentativa em anexar o Canadá, ficar com o controlo do canal do Panamá, anexar a Gronelândia, entreter a ideia de transformar Gaza numa qualquer Riviera Americana após expulsar os palestinianos da sua própria terra, ficar com os minerais, petróleo e gaz da Ucrânia sem qualquer garantia de segurança e aplicar (ou reforçar) tarifas de importação à direita, ao centro e à esquerda (alguém lhe diga como funcionam as tarifas e principalmente quem é que as paga).
E isto leva-nos a um perigoso paradigma, uma vez que, para o poder instalado no país mais poderoso do Mundo, a política aplicada parece ser: Ou estão connosco ou contra nós! Sem meio termo ou sem bom senso!
E agora? #
Não sei bem como se combate este autoritarismo atroz que nos consome em lume brando.
Mas sei que a única coisa que sei que preocupa estes novos governantes é… o dinheiro.
E a única coisa que eu posso fazer é decidir com a minha carteira.
Enquanto o babuino laranja e o seu co-presidente viciado em quetamina continuarem a ameaçar o mundo, usarei o meu (parco) poder de compra para reduzir a minha dependência de produtos e serviços americanos. Se este blog já está, há anos e anos, alojado numa VPS europeia ainda tenho dependo de muitos serviços americanos - uns livres (ver aqui) e outros pagos, uns mais dificeis de substituir outros mais fáceis.
Felizmente, e para nos ajudar a todos, a comunidade europeia tem compilado uma lista de alternativas aos produtos americanos.
Se, como eu, pretende aderir ao mesmo movimento, consulte os seguintes endereços:
Há também um movimento engraçado a aparecer em alguns supermercados por essa Europa fora, já visto também em Portugal. Quando alguém vê um produto de origem americana - ou pertencente a uma empresa americana - coloca os artigos de pernas para o ar na prateleira. Isso ajuda a informar outros consumidores sobre a origem de tal artigo

Para terminar não posso nem devo deixar em claro a minha singela forma de protesto em relação ao drogado mais rico do Mundo que no ultimo mês viu a sua fortuna pessoal decrescer em mais de 150 mil milhões de dólares ($150 000 000 000). Vou repetir: Elon Musk, o proclamado homem mais rico do mundo, assumidamente e publicamente consumidor (e viciado) em quetamina, perdeu cento e cinquenta mil milhões de dólares no último mês (mas ainda tem mais de 350 mil milhões). Para colocar em perspectiva a quantidade absurda de dinheiro que estamos a falar, pegando apenas nos 150 mil milhões, se o homem não ganhasse nem mais um cêntimo o resto da vida dele (nem sequer em juros) e gastasse 1 milhão de dólares por dia demoraria quatrocentos e onze anos a gastar o dinheiro todo. QUATROCENTOS E ONZE ANOS!!!
Mas não é porque Musk ganha - e perde - muito dinheiro que me revolto. Não.
O problema é que, Musk, com a re-eleição do babuino laranja, ganhou uma importância inimaginável há apenas 3 ou 4 meses. Com o seu dinheiro, Musk, comprou o Twitter e permitiu o regresso da extrema direita, do nazismo e do racismo à plataforma. Dá destaque à extrema direita europeia e tenta influênciar eleições (vide o apoio ao AfD nas eleições alemãs). Com o seu recém criado DOGE - Department of Government Efficiency - despediu ilegalmente (e continua a fazê-lo diariamente) milhares de trabalhadores federais e corta benefícios a milhares de veteranos. Promove e sugere semenas de trabalho de 120 horas e incita publicamente ao não respeito pelas decisões de juízes. Sugere que há países que não existem - “Canada is not a real country.” - e faz saudações nazis em comícios públicos:
Elon Musk a fazer a saudação Nazi.
Por tudo isso e por muito mais! Fuck you, Elmo!
