Síria: o drama dos refugiados

Ponto prévio: as centenas de milhar de pessoas que têm tentado chegar à Europa à procura de uma vida melhor não são migrantes como a comunicação social, portuguesa e internacional, os tem titulado. São refugiados.

Se nem a comunicação social sabe a diferença entre tomar uma decisão consciente e informada ou fugir de uma situação dramática e de risco para a própria vida, então estamos pior que pensei.

Não devemos ter medo das palavras. Nem das imagens. Ou da imagem que hoje correu mundo.

Não a vou reproduzir aqui. É uma imagem violenta. Violentíssima.

Não a reproduzo e não é por pudor ou receio, mas sim porque tenho duas crianças com menos de 10 anos que sei que lêem o pai de vez em quando. E eu tenho a obrigação de as defender do mundo cão onde vivemos.

Mas afinal de que fogem os Sírios

Da guerra, da fome, do desespero, do ISIS, da destruição, da morte!

Hospital Aleppo 2011
Hospital de Aleppo – cima: 2012 / baixo: 2013
Aleppo cima: 2012 / baixo: 2013
Aleppo cima: 2012 / baixo: 2013
Luz na Síria antes do conflito
Iluminação nocturna na Síria antes do conflito iniciar (Março 2012)
... e depois do conflito começar.
… e depois do conflito começar (Dezembro 2014)
Uma família de refugiados no sul da Sérvia.
Uma família de refugiados no sul da Sérvia.
Um comboio com viajando da Macedónia para Sérvia com refugiados Sírios a dormir no chão.
Um comboio viajando da Macedónia para Sérvia com refugiados Sírios.
A linha de comboio entre a Sérvia e a Hungria
A linha de comboio entre a Sérvia e a Hungria

O que devemos fazer?

Não sei. Mas assistir impávido e sereno à chegada de corpos de crianças de 3 anos trazidas pela corrente não pode ser a única coisa que a Europa tem para oferecer. Ainda hoje ouvia na rádio uma criança que o jornalista dizia que tinha 13 anos a dizer algo como isto:

Nós não queremos vir para Europa. Queremos viver em paz na nossa terra. Ajudem a Síria e parem a guerra. Apenas parem a guerra.

Enquanto os países da Europa não atacarem (pun intended) definitivamente o problema do estado islâmico o problema só tenderá a agravar-se.

Uma nota final para o sr. Viktor Orban, o primeiro ministro da Hungria. Dizer que o problema dos refugiados é um problema da Alemanha é criminoso. Na situação actual, de crise humanitária, a Alemanha tem tanta obrigação como a Hungria de receber refugiados. Ou como Portugal. Ou outro país europeu qualquer. O sr. Viktor Orban que ponha os olhinhos na Sérvia e principalmente na Grécia e que verifique que nem mesmo as dificuldades económicas que a Grécia padece há alguns anos a impede de dar a mão aos milhares de crianças, mulheres e homens Sírios que chegam às suas fronteiras. Tenha vergonha sr. Orban.

Imagens tiradas do The Guardian, do The New York Times e do blog The Correspondent da Agence France Press

1 Comment

  1. Simples, conciso, frontal. Todos os jornalistas deviam ser assim. Obrigada, António!

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