Jornalismo de sargeta

Vou falar de desporto.

Minto, isto de desporto não tem nada. Vou falar de futebol.

Ups, minto novamente. Isto de futebol já tem muito pouco, infelizmente.

Vou falar sobre uma guerra entre dois clubes que está a destruir o futebol em Portugal.

Mais do que isso, vou-me juntar a essa guerra e, com um pouco de gasolina, incendiá-la um pouco mais. Vou dar um exemplo muito simples do que não deve ser um jornalista desportivo. Pelo menos um que não consegue despir as cuecas vermelhas que tem vestidas.

Vítor Serpa (vspera@abola.pt), jornalista do jornal “A Bola”, no dia a seguir ao jogo do bi-campeão nacional no Algarve escrevia num editorial titulado “Como é possível James ficar de fora?”:

Fez bem o FC Porto em pressionar a Liga e levar o jogo com o Olhanense para o Estádio do Algarve.

Começa logo mal. Primeiro não foi o FC Porto, o bi-campeão nacional a pressionar a alteração do local de jogo. Foi a direcção da Olhanense que solicitou a alteração do local do jogo, tal como tinha feito na primeira jornada. Para o director do maior jornal desportivo do país não saber isto, é grave. Mais grave ainda é saber e escrever o que escreveu. Nenhuma das opções é muito recomendável.

Continua mais à frente:

Foi um bom espetáculo, apesar das óbvias diferenças de qualidade e quantidade e pena foi que apenas tivesse sido visto, ao vivo, por menos de dez mil espetadores. Continua, aliás, a não se compreender muito bem como é possível que tão poucos portistas acompanhem o bicampeão nacional.
(negritos meus)

Oficialmente, o jogo foi visto por 9,498 espectadores, a que corresponde 32% da lotação do estádio.

Vítor Serpa sabe, ou devia saber, que fazer Porto-Loulé-Porto, não é o mesmo que fazer um Lisboa-Faro-Lisboa. Só por comparação, a viagem de comboio, ida e volta nunca fica por menos de 100€ em comparação com os 43€ da viagem a partir da capital.

Ah, e tal e coiso e cenas e o Porto deveria ter adeptos em tudo o que é lugar já que ganha muitos títulos.

Verdade. Tal como o mito de que o slb tem adeptos em todo o país – e tem, mas não em número ou qualidade que muitos apregoam.

O problema, pelo menos para Vítor Serpa, é que o mais maior grande clube do mundo e quem sabe de Portugal, esteve domingo em Coimbra. E em Coimbra – clube que como sabemos até tem mais adeptos que a Olhanense – estiveram 8,270 espectadores a que corresponde 28% da lotação do estádio.

Claro que Vítor Serpa não vai fazer um editorial sinalizando essa diferença.

Mas depois admiram-se quando verificam que no ano 2000 tinham uma tiragem de 150.000 exemplares para um volume médio de vendas de 100.000 e hoje não consigam vender muito mais que 50.000 exemplares.