O Balanço das Europeias 2009

European Union FlagAnda meio mundo a dizer que o PSD foi o grande vencedor das eleições europeias no último domingo.

Não concordo.

Na realidade, o PSD apenas teve mais 2.000 votantes que há 4 anos atrás. Percentualmente estamos a falar em menos de 0.3% de crescimento num ano em que o Governo PS tem tudo a perder e pouco a ganhar.

Olhando para os números de forma fria, o PS perdeu 5 dos seus 12 eurodeputados. O PSD, que em 2004 tinha concorrido coligado com o CDS-PP, consegue 8 deputados, a juntar aos 2 do CDS-PP, em comparação com os 9 que ambos tinham em 2004. Sendo verdade que o País elege hoje menos 4 eurodeputados que há 4 anos, parece fácil perceber que foi a bancada socialista a grande sacrificada com esta redução.

Quem foi então o grande vencedor?

Na minha opinião, houve dois grandes vencedores e um grande derrotado.

O primeiro, e mais óbvio, o Bloco de Esquerda. Contra todas as probabilidades, consegue eleger 3 eurodeputados, mais que duplicando os números de 2004.

Esta transferência de votos entre partidos da esquerda deve-se sobretudo à fraca capacidade que o PSD em geral e Manuela Ferreira Leite em particular têm em capitalizar e chamar a si o descontentamento generalizado que o País e os Portugueses sentem em relação ao PS, ao Governo e à sua (des) governação. O eleitor sente-se mais protegido transferindo votos entre partidos da esquerda, mostrando um cartão amarelo de tamanho gigante ao Eng. Sócrates e aos seus ministros, minimizando os impactos que a transferência do seu voto para a direita poderia trazer.

O Bloco, e as suas bases, conseguiram conquistar os votantes PS insatisfeitos com o Governo e principalmente os professores. Basta olhar para os números crus da votação em Timor e conseguimos perceber um padrão…

O segundo grande vencedor, a abstenção. 63% de abstenção, somando ainda quase 5% de brancos e 2% de nulos, dá um grand-total de 70% de Portugueses que decidiram deixar para outros a decisão (se bem que os brancos e nulos são uma tomada de posição válida). Os políticos profissionais continuam sem conseguir enamorar os portugueses para a política e consciencializar os portugueses que estas decisões são importantes para o seu futuro. E enquanto tivermos taxas de abstenção desta ordem de grandeza, que tal pensar em mecanismos de incentivo ao voto? Pequenas multas pecuniárias ou a proibição de voto nas eleições seguintes são exemplos.

O grande derrotado: Eng.º José Socrates. Apostou no cavalo errado (leia-se, um independente com algumas ideias esquisitas), montou uma máquina que parecia imparável e mobilizou todo o partido e todo o governo para estas eleições. Fica a sensação que, se assim não fosse, o resultado seria histórico. Ver o PS a escassos 6% à frente dos partidos à sua esquerda deve ser muito mais preocupante para o primeiro-ministro que vê-lo a 5% atrás do PSD.

E agora?

Agora, o Eng.º Sócrates tem duas alternativas:

  • Faz uma mini revolução governamental substituindo os ministros que mais votos custam ao PS. Maria de Lurdes Rodrigues, Mario Lino e Alberto Costa são nomes que me vêm logo à cabeça. Reconquistar os professores, serenar a Justiça e adiar, mas não sacrificar, obras megalómanas, parece-me óbvio, mesmo para mim. A 3 ou 4 meses de ir a votos, não há muito mais que possa fazer.
  • Continua a fazer ouvidos moucos das queixas do povo e arrisca-se a perder o Governo para a pior oposição que eu tenho memória. Como disse em Janeiro, e confirmei nestas eleições, Manuela Ferreira Leite, pode vir a ser uma boa estadista, não tendo no entanto o mínimo perfil para andar atrás do voto e conquistar o país. Isso paga-se caro e dificilmente será eleita.

A chave das próximas legislativas está em saber como o PS conseguirá reconquistar os votos que agora se foram para o BE. O futuro governativo do país decidir-se-á neste ponto-chave. E o próximo governo, sendo PS e não tendo maioria absoluta, fica refém de acordos pontuais com o BE ou com o PCP-PEV já que não vejo possibilidade de uma coligação se formar após as eleições… A confirmar lá mais para o fim do ano…

2 Replies to “O Balanço das Europeias 2009”

  1. 5% de votos em branco parecem-me mais do que uma posição válida, é um grito de protesto!!!

    Quanto ao resto é o mesmo folclore de sempre, ninguém perdeu e todos reclamam vitória. Só espero que não seja até à derrota final…

  2. 5% de votos em branco parecem-me mais do que uma posição válida, é um grito de protesto!!!

    Quanto ao resto é o mesmo folclore de sempre, ninguém perdeu e todos reclamam vitória. Só espero que não seja até à derrota final…

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