O estranho caso do parqueamento!

Imagem © FredArmitage
Imagem © FredArmitage

Quem me conhece sabe que não tenho garagem para estacionar o carro…

Como moro no centro da cidade, é muito complicado arranjar estacionamento, principalmente em horas de ponta.

Quando há cinco anos decidi comprar carro novo, decidi também que o carro não dormiria na rua. Parecia-me (e ainda parece) uma boa decisão, embora antecipasse desde logo as dificuldade que iria encontrar.

Quando, uma semanas depois, da garagem mesmo por baixo de minha casa me dizem que têm uma vaga fico radiante e pergunto o preço. Rapidamente aceitei e ainda hoje o preço, baixo na minha opinião, continua inalterado. Único senão: o carro ao longo do dia, durante a semana, tem que estar cá fora. Não se pode ter tudo…

Isto tudo, apenas para servir de introdução para vos contar algo que há uns dias me aconteceu…

Como sempre fiz, quando queria tirar ou colocar o carro da garagem, parece-me lógico que, parte do carro, fique a ocupar parte do passeio, enquanto abro ou fecho a garagem.

Infelizmente, um destes dias, enquanto fechava a garagem, um invisual descia a rua entre o fim do passeio e o inicio da estrada. Presumo que andar junto à parede seja ainda pior e assim evitam ser atropelado pelas pessoas que entram e saem dos prédios e lojas e pelos múltiplos desníveis que encontram desse lado do passeio (caixas de luz, rampas de acesso a garagens, etc).

Rapidamente se aproximou do carro e, obviamente, bateu com a bengala no pára-choques.
Imediatamente vi que fiz o que nunca deveria ter sido feito. Como sempre acontece na maior parte destes casos, a pessoa em causa acabou por ultrapassar o “obstáculo“, sem qualquer queixa e muito rapidamente.
Obviamente desculpei-me, sem poder fazer muito mais naquele momento…

A partir desse dia, que me desculpem os outros condutores, mas o meu carro ocupa a faixa de rodagem para entrar e para sair da garagem.

8 Replies to “O estranho caso do parqueamento!”

  1. Raquel Soares says:

    Muito bem!
    Os passeios não são para ter carros “estacionados” em cima.
    Tiveste sorte em não teres ficado com o carro esmurrado, porque se assim fosse, não tinhas razão para reclamar…
    Se, cada um de nós tomasse consciência dos erros que comente inconscientemente, viveríamos num mundo melhor certamente.
    Bjs.

  2. Raquel Soares says:

    Muito bem!
    Os passeios não são para ter carros “estacionados” em cima.
    Tiveste sorte em não teres ficado com o carro esmurrado, porque se assim fosse, não tinhas razão para reclamar…
    Se, cada um de nós tomasse consciência dos erros que comente inconscientemente, viveríamos num mundo melhor certamente.
    Bjs.

  3. Ao ler este post, de imediato me lembrei de algo semelhante que presenceei há relativamente pouco tempo, na Rua do Souto, desta cidade de Braga.
    Devo dizer que fiquei extremamente incomodada por duas razões: uma porque esta mesma rua é vedada ao trânsito embora se proceda a cargas e descargas uma vez que é uma rua essencialmente comercial; a outra porque me apercebi que só presenciando este tipo de situação é que tomámos consciência do quão ignoramos as dificuldades daqueles que, por razões de deficiência, seja ela qual for, não se podem locomover com a mesma facilidade do que a maioria dos transeuntes.
    Tratava-se também de um invisual que, com o seu instrumento de apoio e orientação, a bengala, passo a passo, percorria a dita rua pelo seu lado direito.
    Ali, encontrava-se uma carrinha de tamanho médio, sem ninguém e com as portas traseiras abertas, sem qualquer sinalização. Eis senão quando, o senhor mesmo com a sua bengala, não conseguiu evitar um grande encontrão com a parte superior do seu corpo e mesmo face. Reconheço que errei, ficando estupefacta a olhar para o senhor esperando a sua reacção. Vi que, após uns bons segundos, ele prosseguiu a sua marcha, pelo que não me abeirei a fim de o ajudar. Fiquei incomodada, já o disse, ao ponto de no resto do dia ficar a pensar no assunto. Foi, para mim, uma grande lição de profundo respeito para com estes cidadãos do mundo, que merecem tanto ou mais respeito ( e não pena) que a maioria de todos nós cidadãos. Foi sem dúvida, uma tomada de consciência da qual, prometi a mim mesma, não ficar indiferente sempre que me deparar com situações que possam provocar este tipo de acidente.
    Parece-me que contigo, irmão, assim foi. Pena é que seja necessário acontecerem estes acidentes para nos consciencializarmos…
    Mais vale tarde que nunca, bem diz o povo!

  4. Ao ler este post, de imediato me lembrei de algo semelhante que presenceei há relativamente pouco tempo, na Rua do Souto, desta cidade de Braga.
    Devo dizer que fiquei extremamente incomodada por duas razões: uma porque esta mesma rua é vedada ao trânsito embora se proceda a cargas e descargas uma vez que é uma rua essencialmente comercial; a outra porque me apercebi que só presenciando este tipo de situação é que tomámos consciência do quão ignoramos as dificuldades daqueles que, por razões de deficiência, seja ela qual for, não se podem locomover com a mesma facilidade do que a maioria dos transeuntes.
    Tratava-se também de um invisual que, com o seu instrumento de apoio e orientação, a bengala, passo a passo, percorria a dita rua pelo seu lado direito.
    Ali, encontrava-se uma carrinha de tamanho médio, sem ninguém e com as portas traseiras abertas, sem qualquer sinalização. Eis senão quando, o senhor mesmo com a sua bengala, não conseguiu evitar um grande encontrão com a parte superior do seu corpo e mesmo face. Reconheço que errei, ficando estupefacta a olhar para o senhor esperando a sua reacção. Vi que, após uns bons segundos, ele prosseguiu a sua marcha, pelo que não me abeirei a fim de o ajudar. Fiquei incomodada, já o disse, ao ponto de no resto do dia ficar a pensar no assunto. Foi, para mim, uma grande lição de profundo respeito para com estes cidadãos do mundo, que merecem tanto ou mais respeito ( e não pena) que a maioria de todos nós cidadãos. Foi sem dúvida, uma tomada de consciência da qual, prometi a mim mesma, não ficar indiferente sempre que me deparar com situações que possam provocar este tipo de acidente.
    Parece-me que contigo, irmão, assim foi. Pena é que seja necessário acontecerem estes acidentes para nos consciencializarmos…
    Mais vale tarde que nunca, bem diz o povo!

  5. Marília says:

    Apesar de tudo, ainda bem que esta situação se passou para alertar as nossas consciências. Mas, a verdade é que as nossas cidades não estão, nem de perto nem de longe, preparadas para a locomoção de quem tem algum tipo de deficiência ou, melhor dizendo, mobilidade reduzida (sim, porque os verdadeiros deficientes são os insensíveis a este tipo de situações).
    Há uns tempos saiu na revista Única do Expresso uma reportagem interessante: os presidentes das câmaras de Lisboa e do Porto, António Costa e Rui Rio aceitaram andar pelas respectivas cidades com invisuais e aperceberam-se , in loco, das verdadeiras dificudades com que estas pessoas se deparam. Daí até à tomada de decisões vai um grande passo mas, a ver vamos.

  6. Marília says:

    Apesar de tudo, ainda bem que esta situação se passou para alertar as nossas consciências. Mas, a verdade é que as nossas cidades não estão, nem de perto nem de longe, preparadas para a locomoção de quem tem algum tipo de deficiência ou, melhor dizendo, mobilidade reduzida (sim, porque os verdadeiros deficientes são os insensíveis a este tipo de situações).
    Há uns tempos saiu na revista Única do Expresso uma reportagem interessante: os presidentes das câmaras de Lisboa e do Porto, António Costa e Rui Rio aceitaram andar pelas respectivas cidades com invisuais e aperceberam-se , in loco, das verdadeiras dificudades com que estas pessoas se deparam. Daí até à tomada de decisões vai um grande passo mas, a ver vamos.

  7. Sabinita says:

    Fantástico, mesmo! Sem palavras… Obrigada por teres aprendido e por partilhares…

  8. Sabinita says:

    Fantástico, mesmo! Sem palavras… Obrigada por teres aprendido e por partilhares…

Comentários fechados.