A crise senhores, a crise…

Não é novidade para ninguém que os tempos não estão fáceis.

As empresas têm dificuldade em arranjar financiamento, ou fazem-no a custos (quase) insuportáveis.

No entanto, fiquei abismado com um email de Steve Balmer, CEO da Microsoft, destinado a todos os funcionários da empresa e que foi hoje tornado público.

Em traços gerais, Balmer diz que as receitas da Microsoft no segundo trimestre de 2008 foram apenas de 16.6 mil milhões de dólares, com um crescimento de apenas 2% em relação ao mesmo período de 2007 e 900 milhões de dólares abaixo do previsto.

Continua com uma lenga-lenga empresarial que não interessa nem ao menino Jesus e termina com os inevitáveis (na opinião dele, claro) despedimentos. No total, 5000 pessoas.

É isto que me choca. E choca-me devido à empresa que é, ao historial que tem e a tudo aquilo que representa.

É sabido que a Microsoft exige lealdade total aos seus funcionários. E com esta atitude, a Microsoft não devolve qualquer lealdade aos mesmo funcionários que ajudam o gigante a ser quem é.

Mais chocante de tudo é perceber que, não é por estar mal financeiramente que haverá despedimentos. É porque é necessário não deixar que os accionistas vejam o seu rendimento ou investimentos cair.

É perceber que, mesmo em altura de crise como não se viu nas últimas décadas, as receitas crescem, mas desculpam-se na crise para realizar despedimentos.

É perceber que uma empresa que não tem problemas de capital, e que consegue recorrer ao crédito se necessário, sente necessidade de despedir, porque as receitas foram 6% abaixo do previsto… 6 por cento!

Mas, com os males da Microsoft posso eu bem.

Infelizmente, o Minho atravessa um grave problema de emprego. Com as devidas distâncias em relação à Microsoft, os casos de despedimentos sucedem-se.

Os exemplos não faltam e mais se podem arranjar.

O que não se pode aceitar, seja na Microsoft ou no Minho, é que os administradores se desculpem com a crise para encher os bolsos, distribuir prémios chorudos pelos conselhos de administração e no final, esquecer de pagar os subsídios ou mesmo os ordenados. E isso, é também o que está a acontecer um pouco por todo o mundo.

One Reply to “A crise senhores, a crise…”

  1. António Soares says:

    Comentário de teste 🙁

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