A Guerra dos Professores

Este título não foi escolhido ao acaso. Neste momento, os principais dirigentes sindicais que “defendem” os professores, estão numa autêntica guerra com o Ministério.

O problema é que, tal como defende Robert Fisk, “a Guerra representa o falhanço total do espírito Humano“. Neste caso em particular, estamos, todos, a assistir a uma guerra que ninguém pode ganhar.

É minha convicção que, numa guerra, não há vencedores ou vencidos. O que a história nos ensina é que há quem perde mais e quem perde menos. E normalmente quem perde menos tem o poder de exigir algo a quem perde mais.

Continuando com a analogia não inocente no caso dos professores vs. Ministério, ainda nenhum dos “intervenientes” se deram conta de algo primordial. Nesta guerra, tal como nas reais, há inocentes que não estão interessados em tomar partido por nenhuma das partes, mas que se vêm privados dos seus direitos fundamentais.

Como pai e encarregado de educação que sou, sinto que os alunos das escolas públicas se vêm no meio de um campo de batalha que está minado de ambos os lados. Sabem que não se podem mover. Para nenhum dos lados. É deles esperado que assistam, de um local privilegiado, à resolução do caos.

Não vou aqui tomar partido. Conheço satisfatoriamente bem a realidade das escolas portuguesas (ver disclaimer no fim do post) mas também percebo bem que um governo de maioria absoluta se dedique a usar e abusar do poder que tal posição lhe dá.

Compreendo a resistência à mudança. É natural e humano que assim seja. Mas penso que são os professores os maiores prejudicados pela não implementação de um sistema de avaliação.

Não concordo com o Pedro Morgado quando diz, que “O Ministério convoca os sindicatos para negociações mortas à partida“. Ao não abdicar deste modelo de avaliação – por não haver proposta de modelo alternativo – o Ministério apenas confirma que quer os professores avaliados. A proposta apresentada pela Plataforma Sindical assenta, imagine-se, na auto-avaliação. A auto-avaliação não deve ser descurada mas não pode nunca ser o item em avaliação.

Parece-me ainda importante dizer três coisas:

  • Os alunos que têm pais com possibilidades estão no ensino privado. Lá, não vemos professores a queixarem-se de trabalharem 8 horas/dia (em vez das usuais 4 ou 5 no público). Não vemos professores a queixarem-se de serem constantemente avaliados, pelos seus alunos, pelos pais destes e pelos seus pares. Não vemos professores a queixarem-se de apenas terem direito a 25 dias úteis de férias durante o ano. A única coisa que vemos é estes professores a tentarem a colocação da praxe no ensino público;
  • Sou da mesma opinião que algumas pessoas com quem já falei: penso que os professores não estão a ser devidamente representados. A sua mensagem não passa e o público não sabe (ou não quer saber) de que se queixam e esta é uma responsabilidade da plataforma sindical;
  • É minha opinião, que vale o que vale, mas aqui posso dizer o que quer, que, por cada voto de um professor que o governo perde, ganha dois ou três da população “geral”.

Por fim, acho engraçado a plataforma sindical vir agora dizer que fazer greve nas próximas duas semanas não terá qualquer impacto. Óbvio. Os únicos impactos que a plataforma sindical está interessada em provocar são o aproveitamento de pontes e feriados e greves às segundas/sextas-feiras e, porque não dizê-lo em alta voz, descartar a responsabilidade de ensinar a quem realmente interessa: os alunos.

Olha, afinal tomei partido… Fugiu-me…

Disclaimer: Tinha prometido a mim mesmo que não escrevia sobre este assunto.
Por uma razão muito simples: a Filipa, sendo professora, é parte interessada e este assunto é, potencialmente, um foco de discórdia cá em casa.
No entanto, não me consigo conter. A Filipa tem exactamente a mesma arma para expressar o seu ponto de vista, se precisar e quiser. E prometo que as suas entradas no blog não serão censuradas.

2 Comment

  1. Raquel Soares says:

    Com esta não contava!!!!!!!…..
    A última coisa que eu esperava era ler algum comentário teu sobre este assunto, apesar de já saber mais ou menos a tua opinião.
    Concordo 100% contigo, mas ainda acrescento:
    Porque é que os professores não vem para a rua reivindicar melhores condições de trabalho nas escolas, para assim poderem cumprir um horário de 8h/dia dentro da escola, permitindo-lhes assim preparem dentro do seu horário (8h/dia), as aulas para o dia seguinte, correcção de testes, reuniões, etc.etc.etc….?
    Assim não trazem trabalho para casa!!!!….
    Filipinha, desculpa, mas tu já sabias a minha opinião.

    Bjs.

  2. Raquel Soares says:

    Com esta não contava!!!!!!!…..
    A última coisa que eu esperava era ler algum comentário teu sobre este assunto, apesar de já saber mais ou menos a tua opinião.
    Concordo 100% contigo, mas ainda acrescento:
    Porque é que os professores não vem para a rua reivindicar melhores condições de trabalho nas escolas, para assim poderem cumprir um horário de 8h/dia dentro da escola, permitindo-lhes assim preparem dentro do seu horário (8h/dia), as aulas para o dia seguinte, correcção de testes, reuniões, etc.etc.etc….?
    Assim não trazem trabalho para casa!!!!….
    Filipinha, desculpa, mas tu já sabias a minha opinião.

    Bjs.

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