Ordenados Públicos: Sim ou Não?

Tenho discutido ultimamente com alguns colegas de trabalho as vantagens e desvantagens dos ordenados de toda a empresa serem publicados.

Na minha opinião, acho que será uma forma de:

  • Gerir adequadamente as expectativas de quem é pago acima da média da empresa. Não se sentirão com grande “moral” para pedir grandes aumentos e terão a pressão de justificar a diferença para os colegas que menos recebem;
  • Garantir a equidade de ordenados entre colegas com o mesmo perfil, rumo e tarefas.

Nem de propósito, a Lifehacker.com, pergunta hoje ontem aos seus leitores: Quer mesmo saber o ordenado dos seus colegas?

Diz o artigo, e numa tradução mais livre que literal:

Quanto mais transparentes forem os salários, mais correctamente podem, os colaboradores, aferir o seu real valor para a companhia. Se pensa que as companhias beneficiam por não divulgar os salários e que por isso os mantém secretos e se os salários são 100% correctos – perfeitamente adequados ao real valor do colaborador à empresa – então a empresa não deveria ter qualquer problema em revelar os salários. Os únicos que beneficiam pela não divulgação dos salários são os recursos humanos. Se fizerem um erro, podem esconde-lo.

Na realidade, não podia concordar mais com esta indicação (embora a parte relativa ao departamento recursos humanos me passe ao lado). Será, talvez, a única forma de um colaborador saber do valor que a empresa lhe dá (por comparação com outros colegas) e do seu “valor potencial de mercado”.

Pessoalmente, não estou muito interessado em saber que um director ganha 5 ou 6 vezes mais que eu e que ainda tem direito a trocar de viatura de 3 em 3 anos. Obviamente, têm um grau de responsabilidade que eu não tenho, respondem por um conjunto muito mais alargado de situações e a sua responsabilidade não está confinada a uma área. Já estou, no entanto, mais interessado em perceber porque razão um colega com o mesmo tipo de responsabilidade, com o mesmo perfil e que aparentemente é menos produtivo do que eu, ganha 2 vezes mais. Ou, invertendo os papeis, porque razão ganho mais que o colega que faz exactamente o mesmo (o que, obviamente, não acontece).

No entanto, é obrigatório ponderar também o tipo de pressão que este tipo de conhecimento coloca à empresa e aos seus colaboradores. Como encarar um pedido de ajuda de um colega que sabemos que ganha muito mais que nós? Ajudaríamos da mesma forma? E na situação inversa, não nos sentaríamos intimidados quando necessitássemos de apoio de alguém com um ordenado muito mais baixo?

Na verdade, acho que este tipo de situações só se coloca se a folha de pagamentos da empresa for de tal ordem desequilibrada que origine este tipo de pressões.

Dos colegas de trabalho que sei que passam por aqui, :), tenho alguma curiosidade de saber a opinião (se a quiserem deixar), mas o que me interessa verdadeiramente é perceber a opinião que têm, na generalidade, sobre este assunto…

2 Replies to “Ordenados Públicos: Sim ou Não?”

  1. Acho que vou estrear os comentários 🙂 …
    A situação que colocas é pertinente, e, desde já, fica a minha opinião: sim, os salários e complementos (porque às vezes valem tanto como as remunerações puramente monetárias!) deveriam ser uma informação transparente dentro da empresa.
    Em relação às questões morais, e correndo o risco de me acharem radical (por acaso até sou mas disfarço bem 🙂 !): numa empresa, independentemente do salário, há sempre pessoas a quem nos é mais fácil pedir ajuda, pela empatia, pela disponibilidade, pelo “histórico” das situações anteriores… e outras a quem, mesmo que sejam o recurso mais valioso para a questão que temos, nos custa (e às vezes é um custar quase visceral 😛 ) pedi-la. O facto de sabermos mais ou menos sobre aquele indivíduo pode constranger-nos as acções. É um facto. Se eu sei que um colega está com problemas familiares, é óbvio que posso ter algum constrangimento em o pressionar com questões de trabalho. Mas, por outra, e lá diz a velha máxima, “trabalho é trabalho, conhaque é conhaque”!. Se tenho de pedir ajuda, ou se tenho de a dar, e realmente está na minha mão – se sou a pessoa indicada para tal – acho que faz parte da minha responsabilidade como colega prestar esse apoio. Independentemente de saber que quem está do outro lado ganha mais ou menos, é mais ou menos arrogante, interessado (ou interesseiro), é branco, vermelho ou amarelo… pode ser uma postura ingénua da minha parte (ou como atrás referi, radical), mas há coisas que eu acho que não se devem misturar.
    É óbvio que informação sensível como é a dos salários às vezes pode provocar alguma revolta. E a injustiça magoa e fere até a nossa auto-estima. Somos humanos 🙂 …
    Mas como há momentos comentava, num momento de salutar conversa no meio de uma apresentação de uma tal de nova ferramenta de SOA 🙂 , o dinheiro não é tudo.
    A minha consciência face ao que ganho e ao que faço para receber os €€€ ao final do mês, essa sim. É o meu guia!

  2. Acho que vou estrear os comentários 🙂 …
    A situação que colocas é pertinente, e, desde já, fica a minha opinião: sim, os salários e complementos (porque às vezes valem tanto como as remunerações puramente monetárias!) deveriam ser uma informação transparente dentro da empresa.
    Em relação às questões morais, e correndo o risco de me acharem radical (por acaso até sou mas disfarço bem 🙂 !): numa empresa, independentemente do salário, há sempre pessoas a quem nos é mais fácil pedir ajuda, pela empatia, pela disponibilidade, pelo “histórico” das situações anteriores… e outras a quem, mesmo que sejam o recurso mais valioso para a questão que temos, nos custa (e às vezes é um custar quase visceral 😛 ) pedi-la. O facto de sabermos mais ou menos sobre aquele indivíduo pode constranger-nos as acções. É um facto. Se eu sei que um colega está com problemas familiares, é óbvio que posso ter algum constrangimento em o pressionar com questões de trabalho. Mas, por outra, e lá diz a velha máxima, “trabalho é trabalho, conhaque é conhaque”!. Se tenho de pedir ajuda, ou se tenho de a dar, e realmente está na minha mão – se sou a pessoa indicada para tal – acho que faz parte da minha responsabilidade como colega prestar esse apoio. Independentemente de saber que quem está do outro lado ganha mais ou menos, é mais ou menos arrogante, interessado (ou interesseiro), é branco, vermelho ou amarelo… pode ser uma postura ingénua da minha parte (ou como atrás referi, radical), mas há coisas que eu acho que não se devem misturar.
    É óbvio que informação sensível como é a dos salários às vezes pode provocar alguma revolta. E a injustiça magoa e fere até a nossa auto-estima. Somos humanos 🙂 …
    Mas como há momentos comentava, num momento de salutar conversa no meio de uma apresentação de uma tal de nova ferramenta de SOA 🙂 , o dinheiro não é tudo.
    A minha consciência face ao que ganho e ao que faço para receber os €€€ ao final do mês, essa sim. É o meu guia!

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