O meu Apito Final

Na última sexta-feira, o país desportivo parou por causa de uma decisão histórica.

O conselho de disciplina da Liga Portuguesa de Futebol decidiu aplicar a pena de descida de divisão ao Boavista e a perda de seis pontos ao F. C. Porto (entre outros castigos).

Não vou aqui entrar em pormenores sobre as penas aplicadas ao Boavista, ao Leiria e aos diversos dirigentes e árbitros envolvidos. Vou antes escrever algo sobre a pena aplicada ao F. C. Porto e a decisão imediata tomada pelo clube.

O presidente do clube, em conferência de imprensa, com toda a pompa e cirscunstancia decidiu que o clube não iria recorrer do castigo.

Se eu percebo que é uma tentação para o clube não recorrer deste castigo, já que desportivamente vale zero, custa-me a aceitar, como adepto do clube, que este presente envenenado tenha sido aceite tacitamente por quem comanda os destinos do clube.

Sou daqueles que acreditam na inocência do presidente e, inerentemente, do clube. Chamem-me louco. Chamem-me cego. Chamem-me hipócrita. Mas acredito piamente que estes dirigentes não fazem nem mais nem menos do que os dirigentes de outros clubes.

Sabemos que a justiça, nomeadamente a justiça desportiva tem dois pesos e duas medidas. Os regulamentos costumam ser diferentes quando o nosso F. C. Porto está em questão. Mas sempre soubemos viver com isso. E foi (também) isso que nos tornou a única potência nacional e o único clube capaz de ombrear com os tubarões desta Europa futebolística.

Tal como outros portistas (notáveis e menos notáveis), preferia ter descido de divisão mesmo que recorresse até à ultima instância possível e imaginária a aceitar este castígo pífio. Percebo a tentação de quem dirige o clube, aceito-a como uma inevitabilidade, mas não me conformo com a mesma.

Agora, sempre pensado no contra-ataque, alguma imprensa lisboeta começa a tentar abrir fracturas no seio da família portitas. Tenta colar rótulos de fractura onde sabemos que não existe. É esta a prova (mais uma) de que não nos conhecem. É nestes momentos que nos unimos. É nestes momentos que damos força a quem dela precisa, do roupeiro ao presidente. É nestes momentos que mostramos a nossa força. Sabemos todos que, independentemente de concordarmos ou não com a decisão do nosso presidente, ele tem o nosso apoio. Indiscutivelmente.

Para finalizar, lembro a todos que, desde 2003/2004 que o presidente do F. C. Porto tem o seu telefone sob escuta. Tirando a época imediatamente a seguir (em que mesmo assim fomos apenas campeões do Mundo e ganhamos a Super Taça à equipa das galinhas) temos comido o campeonato com a limpeza do costume, como demonstram os 23 pontos de diferença entre nós. E nem precisamos de jantares no Sapo com árbitros e fiscais-de-linha ainda em actividade, de ter um assalariado do clube que era ao mesmo tempo dono de outro clube na mesma divisão, de desviar jogos (da equipa que o assalariado era dono) para 200 km’s a Sul ou ainda de assediar jogadores na véspera dos nosso jogos.  Sempre se disse que à mulher de César não basta ser séria tem que parece-lo.

PS: No momento que escrevo estas linhas, a equipa das galinhas acaba de conseguir o apuramento directo para a Taça UEFA. A melhor equipa dos últimos 10 anos, comprova assim que o título que ganhou foi obra de outras manobras que apenas Veiga e companhia sabiam como fazer. Mesmo tentando imitar algumas das manobras de Veiga (Makukula, Jorge Ribeiro e Nélson Amorin vêem-me à cabeça) os resultados foram nulos. Parabéns ao Sporting pelo acesso directo à Champions e ao Guimarães pelo acesso à pré-eliminatória.