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Onde começa a diversão…

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O que fazer?

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Ontem, quando regressava do trabalho para casa (para quem não sabe, de Leça do Balio em Matosinhos para Braga) deparei-me com uma situação inesperada e nada agradável.

Na estrada nacional N14, que liga Braga ao Porto, uns 10 km’s antes de entrar em Braga, encontrei fila de uns 4/5 carros. Estranhei, ainda para mais sendo à hora que era (cerca das 20h30).

Percebi então que, minutos antes, um condutor a circular no sentido contrário tinha atropelado um cãozito e que este tinha vindo parar à “minha” faixa de rodagem (não, não vi “o momento”, e dou graças por isso). O condutor estava a colocar o triângulo e tinha ficado parado no local da ocorrência. Aparentemente o carro não tinha sofrido qualquer dano pelo atropelamento e, penso, estava em condições de circular.

Contornei como pude o animal, já combalido e (aparentemente) quase morto e, mal disposto com o que acabava de presenciar, segui o meu caminho.

Foi já em casa e recuperado do choque que comecei a reflectir sobre a atitude a tomar se uma infelicidade destas acontecesse comigo.

O que é suposto fazermos nestes casos? Ligar para o 112? Ligar para o veterinário? Ligar para os Bombeiros ou para a Polícia? Presumo que abandonar o local não seja opção e nem sequer a coloco…

Sinceramente não sei e espero nunca precisar de tal informação.

Mas, sinceramente, fiquei com esta dúvida…

Written by António Soares

Janeiro 15th, 2009 at 1:42 pm

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A ovelha tresmalhada

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Sinceramente não sei, mas desconfio que seja um problema meu.

Provavelmente serei, neste rebanho global que chamamos Mundo, uma ovelha tresmalhada. Mas não consigo imitar os méé’s histéricos que se apoderam deste País em algumas situações…

Vem isto a propósito dos Jogos Paralímpicos a decorrer neste momento em Pequim.

Mas o que tem este gajo agora contra os jogos paralímpicos?

Esta deve ser provavelmente a pergunta que vos assola neste momento e aqui chegados. Para vos poupar trabalho de lerem até ao fim, posso já simplificar e responder: nada!

Aliás, acho meritório tudo aquilo que por lá se consegue realizar e o realizar do sonho de diversos atletas, muitos deles com grandes sacrifícios pessoais para lá conseguir chegar.

O meu problema passa mesmo pela estúpida, arrogante e desprestigiante cobertura jornalística que as nossas televisões, as nossas rádios e os nossos jornais fazem deste evento.

Tal como aconteceu com a maior parte dos atletas que integravam a comitiva Portuguesa nos Jogos Olímpicos, a maior parte destes atletas – para não dizer 100% – são completos desconhecidos no seu País, esquecidos pela comunicação social e pela sociedade.

No entanto, estão dispostos a grandes sacrifícios para dedicarem, de 4 em 4 anos, 2 semanas das suas vidas em representação deste país que deles e delas não quer saber.

Mas o que se vê na comunicação social? A sede estúpida e cega de medalhas. Queremos é ganhar medalhas e contabilizar medalhas.

Mas não me interpretem mal… Apesar das dificuldades que muitos destes atletas passam diariamente, são, provavelmente, os últimos a querer ser tratados de forma especial ou diferente. E não é isso que pretendo.

O que pretendo, e mesmo fazendo o mea culpa, é perguntar onde andam os canais de televisão quando, um invisual, atleta ou não, não tem um passeio onde circular em segurança nas nossas grandes cidades. O que pretendo é saber quantos artigos de opinião escreveram os directores dos grandes diários nacionais alertando para a falta de condições de acesso das construções, novas ou velhas, das instituições públicas.

Ou eu ando enganado neste País, ou não podemos simplesmente fechar os olhos a todos os atropelos à lei e à ética durante quatro anos e, de repente, ter um súbito interesse pelas modalidades praticadas por estes Portugueses.

E sim, eu também sou parte do problema. Também ignoro os seus problemas e dificuldades durante todo o ano. Mas não exijo medalhas nem apareço apenas para a fotografia a dizer que é “o dia mais bonito do meu mandato“.

Written by António Soares

Setembro 11th, 2008 at 11:24 pm

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Nelson “Campeão” Évora

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© azzurri_nr1

© azzurri_nr1

Depois dos profetas da desgraça se apressarem a condenar os atletas Olímpicos Portugueses, eis que, qual Fénix, com um magestoso majestoso salto de 17,67cm, Nelson Évora conquista uma medalha de ouro para o País, a primeira de sempre de uma disciplina técnica e a quarta de todos os tempos, fazendo desta participação Portuguesa nos espectaculares Jogos Olímpicos de Pequim uma das melhores de sempre.

Ao Nelson em particular e a todos os outros atletas (medalhados ou não) que se sacrificaram a ir até Pequim, o meu obrigado.

Written by António Soares

Agosto 21st, 2008 at 11:14 pm

O Veto do Presidente

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O Sr. Presidente da República decidiu por bem vetar a nova lei do divórcio que daria plenos poderes a uma das partes de terminar o casamento quando bem intendesse entendesse.

Diz o Presidente:

[...] é no mínimo singular que um cônjuge que viole sistematicamente os deveres conjugais previstos na lei – por exemplo, uma situação de violência doméstica – possa de forma unilateral e sem mais obter o divórcio e, sobretudo, possa daí retirar vantagens [...] Nos termos do diploma é possível ao marido, após anos de faltas reiteradas aos deveres de respeito, de fidelidade ou de assistência, exigir ainda da sua ex-mulher o pagamento de montantes financeiros.(destaque meu)

Diz ainda:

[...] o Presidente da República chama a atenção para o paradoxo que emerge do novo modelo de divórcio, a que corresponde uma concepção de casamento como espaço de afecto, quando a seu lado se pretende que conviva, através da criação do crédito de compensação, uma visão “contabilística” do matrimónio [...]

Tal como pergunta, e bem, Pedro Morgado, porque há-de o estado dificultar algo que deveria ser do senso comum aceitar. Porque razão há-de um dos conjuges continuar casado se, manifestamente, não está prái virado? Porque há-de o estado obrigar a protelar uma situação não é do total acordo de (pelo menos) um dos lados?

Por outro lado, acho engraçado que a relação estratégica de cooperação que o Presidente e o Primeiro Ministro vinham mantendo, se tenha tornado cada vez mais débil nos últimos tempos. Terá algo a ver com a eleição da dama de ferro, Manuela Ferreira Leite, para líder do maior partido da oposição? E sendo este veto uma opção meramente ideológico e religioso (a opção do Presidente vai de encontro à posição que Igreja Católica tem sobre o mesmo assunto) é engraçado verificar que, tanto o Presidente e a líder da oposição têm uma leitura semelhante em relação a assuntos que deveriam ser banais e pacíficos num estado que ser quer laico.

Depois do fiasco da comunicação ao País na questão sobre os Estatuto Político-Administrativo dos Açores, o Presidente volta a dar um sinal de protagonismo exacerbado e devolve à Assembleia um diploma que, a meu ver, já deveria estar em vigor há anos.

Written by António Soares

Agosto 20th, 2008 at 9:28 pm

Eu não tinha dito melhor

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Fernando Madrinha, escreveu um artigo de opinião este fim-de-semana no Jornal Expresso, a propósito do problema da Quinta da Fonte e subsequente movimentações por parte da comunidade cigana.

Diz ele:

Na avalanche de notícias sobre a Quinta da Fonte, houve uma que apareceu pequenina nos jornais e tem sido pouco valorizada, mas é muito reveladora e instrutiva. Veio do vereador da Câmara de Loures com o pelouro da habitação e diz que a renda média das habitações do bairro é de 4,26 euros por mês. Mesmo assim, as rendas em atraso já atingem um milhão de euros. Esta verba corresponde a 50 mil mensalidades em dívida. Sendo 776 os fogos existentes, temos cinco anos de rendas por pagar num bairro habitado há pouco mais de dez.

O comum dos cidadãos não compreende que uma família não pague os quatro euros de renda, disse o vereador ao ‘Público’. Pois não. Por motivos vários – e nem é preciso ir buscar as imagens daquele chefe de família que, vindo da ‘manif’ defronte da sede do município de Loures, se deslocou ao bairro para mostrar às televisões onde estavam os objectos que lhe terão roubado: o plasma, o DVD, a TV e a “playstation” do miúdo, a máquina da loiça…

O comum dos cidadãos sabe, em primeiro lugar, que, se não pagar a sua renda ou a prestação da casa, recebe ordem de despejo e põem-lhe os móveis à porta. E se lhe ocorrer ir acampar com a família em frente da Câmara Municipal, é provável que a polícia corra com ele na hora e não daí a três dias. Depois, o comum dos cidadãos pode não ter dinheiro para mais nada, mas a renda é a última dívida que deixa de pagar, como os bancos sabem melhor do que ninguém. As duas atitudes – a noção de que a falta tem castigo e de que um compromisso, mesmo o de uma renda simbólica, é para ser cumprido – revelam um certo tipo de relação do tal cidadão comum, seja um pobre de sempre, seja um ‘novo pobre’, com a casa que habita e com a própria sociedade.

O que mostram as contas das rendas na Quinta da Fonte é a atitude oposta: a ausência de toda a responsabilidade, a arreigada noção de que os pobres, por serem pobres – e mais ainda se forem negros ou ciganos – só têm direitos e nenhum dever, o desprezo por qualquer compromisso e a certeza absoluta da impunidade total em caso de incumprimento, mesmo reiterado.

Esta é a filosofia de vida que o Estado assistencial tem promovido nas ‘Quintas da Fonte’. Ninguém dá valor a uma casa que lhe é oferecida por 4,26 euros mensais e que ninguém lhe tira se os não pagar – e aí já está metade da explicação para não se cuidar dela, deixando-a degradar-se de forma acelerada. Menos valor ainda se lhe dará se, além de pedir quase nada de esforço pela habitação, o Estado sustentar a família com subsídios e apoios que a dispensam de procurar trabalho. Ou que permitem a acumulação com expedientes de legalidade duvidosa, quando não criminosos.

No caso específico dos ciganos, que são um caso muito particular em matéria de integração, é público e notório, tanto nas ‘Quintas da Fonte’, como nas aldeias e vilas alentejanas, que se especializaram na exploração do sistema, nomeadamente no celebrado rendimento social de inserção. E que o Estado faz muito mais do que a esmagadora maioria deles faz pela sua própria integração. Na hora mais conveniente, sabem usar como ninguém a técnica da vitimização racista, seja para explorar e colher qualquer benefício, seja para justificar os seus próprios comportamentos, muitas vezes violentos e racistas. É ir às escolas, por exemplo, e perguntar quem são e como se comportam os pais mais problemáticos.

Bem podem abespinhar-se, pois, as almas pias que se tomam por mais sensíveis e anti-racistas do que todas as outras. O que as incomoda não é que o racismo exista e que ele se manifeste lá onde não dá jeito nenhum ao seu discurso politicamente correcto. O que as incomoda é que se fale disso.
[Os destaques do artigo são da minha responsabilidade]

Acrescento eu que subscrevo em absoluto e assino por baixo…
[artigo descoberto via blog.karlus.net]

Written by António Soares

Agosto 1st, 2008 at 3:43 pm

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