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2010
O Norte sem rumo | 2
Vou continuar a usar este espaço para listar e enumerar as desigualdades de tratamento entre Lisboa e o resto do País.
Novas regras para dar mais verbas a Lisboa [JN]
O Governo mudou, há três semanas, o regulamento do FEDER e do Fundo de Coesão, viabilizando o desvio de verbas das regiões mais pobres para Lisboa.
[...]
A região de Lisboa não teria direito às verbas destinadas às regiões de convergência, uma vez que os seus indicadores – PIB (Produto Interno Bruto) per capita e qualidade de vida – já estão acima da média europeia.
Viva a igualdade de tratamento!
Mas há mais…
Em relação ao desvio que a capital se prepara para fazer em relação à Red Bull Air Race, a ACP apelou já ao boicote aos produtos TMN, Galp e EDP – como se faz boicote aos produtos da EDP se não temos alternativa?
E uma opinião surpreendente, se não pelo conteúdo, pela pessoa que a emite:
Mesmo sendo Lisboeta e Vereador da Câmara Municipal de Lisboa, considero incrível e lamentável que se tente desviar do Rio Douro para o Rio Tejo a prova Redbull das acrobacias aéreas. Já tive oportunidade de assistir, no ano passado, e testemunhei a excelência da organização e o entusiasmo das pessoas daquela Região, bem com de todos os visitantes, com o espectáculo que lhes era proporcionado. [Pedro Santana Lopes, em Acrobacias]
[negritos meus]
Parece que não são apenas os habitantes da Região que estão indignados com a manobra de diversão que se prepara.
Ainda há quem tenha bom senso para perceber que estão a dividir o país em dois: Lisboa e o resto!
Fica no entanto a pergunta: sendo Pedro Santana Lopes um politico com responsabilidades directas na Câmara Municipal de Lisboa e ex-primeiro-ministro, o que vai fazer ele para que o desvio não aconteça?
O Norte sem rumo
«A ligação Porto-Vigo sempre “foi uma fantasia”, diz Rui Moreira» [publico]
Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto, comentando o adiamento da ligação em TGV entre Porto e Vigo
«Estado ajuda a “roubar” Red Bull Air Race para Lisboa» [JN]
Luís Filipe Menezes, presidente da Câmara Municipal de Gaia, comentando a possibilidade, há muito ouvida em surdina, do evento da Red Bull Air Race vir a ser transferida para o rio Tejo.
Alguns perguntarão: é este o Norte que queremos para o nosso país?
Eu apenas perguntarei: é com este Norte que Lisboa quer conviver?
Balanço de 2008
Agora que já estamos em 2009, é chegada aquela altura do ano de fazer um balanço mais ou menos sério do que foi 2008.
Profissionalmente, o ano começou – ou devo dizer continuou – com o furacão Carrefour e a integração das ex-lojas do grupo francês nos sistemas internos da Modelo e Continente. Foram uns dias loucos, os primeiros dias do ano. Continuaram loucas as primeiras semanas de Janeiro. A meio do ano, o habitual frenesim de verão e neste final de ano mais uma correria louca, desta vez por causa da compra das lojas Boulanger.
A nível pessoal o ano teve altos e baixos, como é normal. Começou com a mudança da Zon TV Cabo para a Meo, o que se veio a revelar uma excelente escolha (mesmo depois do único problema que tive durante o ano). Fevereiro trouxe finalmente o gozo da minha licença parental e a primeira visita à praia da Helena. As férias foram um espectáculo e o regresso à rotina foi custoso. Depois o tempo disponível começou a ser cada vez menor para umas coisas porque decidi que grande parte do meu tempo livre seria para estar com os meus filhos. E que tempos bem passados têm sido…
Nesta tasca, o ano começou com um hit. O post “Valete e o Rap do Sporting” gerou um volume anormal de visitas e ainda hoje é o post mais visto e Janeiro o mês mais visitado. Privilegiei no entanto acima de tudo a qualidade em detrimento da quantidade. As estatísticas de acesso têm-me dado razão para continuar a apostar nesta fórmula já que o crescimento anual, em 2008, foi de 401% (dados google analitics).
No Mundo, saliento a realização dos Jogos Olímpicos em Pequim, a eleição de Barak Obama, o fim da atenção dada à ocupação do Iraque e o recente reacender do conflito Palestina – Israel. Fico a dever ao blog um post sobre os últimos dois itens.
Neste país à beira mar plantado, os desafios e as dificuldades continuam exactamente na mesma (ou piores). O nosso Presidente da Republica aprova leis contra a sua vontade, mesmo indicando que nada mais podia fazer… Pergunto, tal como Mário Valente, se a destituição do governo ou a sua própria demissão não são opções que um presidente tem sempre ao seu dispor…
Regionalmente, as desigualdades continuam e acentuam-se a olhos vistos e não se vislumbram novidades nas opções que os políticos profissionais têm tomado para contrariar esta tendência. Aconselho a leitura atenta do post “A Noroeste nada de novo” do excelente Avenida Central.
Enfim, um ano de 2008 igual ou pior a outros antes dele.
Penso que 2009 será um ano ainda pior. As acções de conquista rápida em ano de eleições levarão os políticos a esquecer as necessárias e urgentes reformas que têm que levar a cabo e a optar pelo populismo de pequenas coisas. A famosa crise tenderá a piorar antes de melhorar (mas isto fica para um post próprio sobre as minhas previsões para 2009).
Fiquem bem.
A ovelha tresmalhada
Sinceramente não sei, mas desconfio que seja um problema meu.
Provavelmente serei, neste rebanho global que chamamos Mundo, uma ovelha tresmalhada. Mas não consigo imitar os méé’s histéricos que se apoderam deste País em algumas situações…
Vem isto a propósito dos Jogos Paralímpicos a decorrer neste momento em Pequim.
Mas o que tem este gajo agora contra os jogos paralímpicos?
Esta deve ser provavelmente a pergunta que vos assola neste momento e aqui chegados. Para vos poupar trabalho de lerem até ao fim, posso já simplificar e responder: nada!
Aliás, acho meritório tudo aquilo que por lá se consegue realizar e o realizar do sonho de diversos atletas, muitos deles com grandes sacrifícios pessoais para lá conseguir chegar.
O meu problema passa mesmo pela estúpida, arrogante e desprestigiante cobertura jornalística que as nossas televisões, as nossas rádios e os nossos jornais fazem deste evento.
Tal como aconteceu com a maior parte dos atletas que integravam a comitiva Portuguesa nos Jogos Olímpicos, a maior parte destes atletas – para não dizer 100% – são completos desconhecidos no seu País, esquecidos pela comunicação social e pela sociedade.
No entanto, estão dispostos a grandes sacrifícios para dedicarem, de 4 em 4 anos, 2 semanas das suas vidas em representação deste país que deles e delas não quer saber.
Mas o que se vê na comunicação social? A sede estúpida e cega de medalhas. Queremos é ganhar medalhas e contabilizar medalhas.
Mas não me interpretem mal… Apesar das dificuldades que muitos destes atletas passam diariamente, são, provavelmente, os últimos a querer ser tratados de forma especial ou diferente. E não é isso que pretendo.
O que pretendo, e mesmo fazendo o mea culpa, é perguntar onde andam os canais de televisão quando, um invisual, atleta ou não, não tem um passeio onde circular em segurança nas nossas grandes cidades. O que pretendo é saber quantos artigos de opinião escreveram os directores dos grandes diários nacionais alertando para a falta de condições de acesso das construções, novas ou velhas, das instituições públicas.
Ou eu ando enganado neste País, ou não podemos simplesmente fechar os olhos a todos os atropelos à lei e à ética durante quatro anos e, de repente, ter um súbito interesse pelas modalidades praticadas por estes Portugueses.
E sim, eu também sou parte do problema. Também ignoro os seus problemas e dificuldades durante todo o ano. Mas não exijo medalhas nem apareço apenas para a fotografia a dizer que é “o dia mais bonito do meu mandato“.
Os EUA, a Polónia, a Russia e a UE
Foi ontem assinado em Varsóvia, capital da Polónia, um acordo para a instalação de parte do escudo anti-míssil norte-americano na Polónia. O pretexto: a defesa do estado americano contra um imaginário ataque bélico por parte do Irão.
O acordo prevê a instalação de 10 misseis de intercepção com um alcance máximo de 3 mil km, a cedência, por parte dos Estados Unidos de 96 misseis Patriot de última geração para defesa aérea e contra mísseis de curto alcance e também a obrigação dos Estados Unidos defenderem a Polónia de ataques externos obrigando estes a um tempo de resposta significativamente mais baixo que a NATO. NATO da qual a Polónia faz parte juntamente com mais 25 países entre eles os Estados Unidos da América.
Olhando agora para os termos do acordo, na minha opinião, algo não bate certo.
Que eu saiba, a Polónia entrou em 2004 para a União Europeia juntamente com Malta, Chipre, Eslovénia, Estónia, Letónia, Lituânia, República Chega, Eslováquia e Hungria. Ao entrar na União, a Polónia passou a estar, automaticamente sobre protecção da Politica Europeia de Segurança e Defesa e que deveria ter sido rectificado pelo Tratado de Lisboa.
Posto isto, compreendo se calhar um pouco melhor agora a recusa do presidente polaco em rectificar o tratado, justificando tal medida com a questão Irlandesa da não rectificação do mesmo.
Independentemente disto tudo, estranho também o silêncio aterrador da Presidência da União Europeia, na pessoal do seu Presidente Nicolas Sarkozy. Estranho o silêncio aterrador da Comissão Europeia e do seu Presidente José Manuel Barroso.
Por outro lado, não estranho o ruído que esta notícia causa pelas esferas políticas e militares da Rússia. Imagino que não seja fácil para um país como a Rússia, ter um sistema anti-míssil a 200km das suas fronteiras. A reacção, segundo os responsáveis russos será dura e não ficará limitada a palavras de circunstância. Há até quem especule que a assinatura do acordo abrirá um pretexto para a Rússia atacar a Polónia.
O que se seguirá?
Não costumo fazer futurologia. Mas não me parece difícil perceber que a relação EUA – Rússia – EU ficará muito mais delicada. Acredito também que, à primeira oportunidade, a Rússia responderá à altura no continente Americano – Cuba e Venezuela são os candidatos óbvios.
A verdade é que, juntando este acordo – e o próximo que será assinado com a República Checa – aos recentes acontecimentos na Geórgia, parece-me claro afirmar que a Guerra Fria está de volta. Isto volta a por em cima da mesa algumas perguntas que faço a mim mesmo há alguns anos a esta parte: para quando uma politica militar séria e a sério na União Europeia? Estamos hoje mais ou menos preparados para enfrentar tensões EUA – Rússia ou EUA – China? Eu não sei responder a estas questões. Haverá alguém no mundo que saiba?
Actualização: A Rússia congelou oficialmente a cooperação militar com a NATO até indicações em contrário. Uma das consequências imediatas prende-se com o futuro da intervenção militar no Afeganistão já que Moscovo pode suspender a autorização de sobrevoo do espaço aéreo Russo…



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