Archive for the ‘José Sócrates’ tag
Politiquices II
O país acordou para um novo dia.
Depois de um dia de ontem em cheio, o povo acordou com algumas surpresas mas continua sem dinheiro no bolso. Nada de novo.
Nada?
Não é bem assim. Ouvi de manhã na TSF, Miguel Relvas a afirmar que o aumento de impostos, nomeadamente o IVA, pode ser uma realidade.
Na realidade, é algo que sabemos pode ser necessário – seja num governo mais à direita seja num governo mais à esquerda.
A novidade aqui – pelo menos para mim – é que o PSD já fala com se fosse governo.
Chumbaram ontem um PEC, que contemplava medidas duras é verdade e que não era garantia que não teríamos mais medidas de contenção. Chumbaram um pacote de medidas com as quais até concordam, apesar de apenas parcialmente. Enviam uma carta ao mercado em que dizem não acreditar que o PS seja capaz de tomar medidas duras “principalmente na base alargada de apoio que constitui a função pública”.
Quem quiser ler nas entrelinhas sabe o que nos espera.
Privatização do serviço nacional de saúde, privatização do ensino – no fundo dois dos poucos serviços aonde se pode ir buscar algum dinheiro – e reformulação total da função pública…
Não me vou alongar muito mais já que não quero caír no mesmo erro que Passos Coelho – falar como se já fosse governo – mas penso que aquilo que muitos dão como certo – a vitória do PSD, mesmo que coligado com o CDS/PP – pode não ser algo tão certo como isso.
Por fim, não posso deixar passar a nota de que, mais uma vez, o sr. Presidente foi, no mínimo deselegante. Não fazendo uma comunicação directa ao país, não aguardou que Sócrates viesse para a televisão se chorar e deu-nos a novidade a partir da página oficial da presidência na internet. Desta vez, ninguém o pode acusar que não teve tempo…
PS: Acabo de ler no público que Pedro Passos Coelho espera que Portugal fique fora de um resgate europeu. Só consigo esboçar um sorriso irónico para quem ontem se outorgava com autoridade para “não apresentar qualquer alternativa“. Leio no LeMonde que Pedro Passos Coelho “espère que les prochaines élections vont permettre d’obtenir un gouvernement plus fort, capable de maîtriser le déficit avec un programme de consolidation budgétaire plus sévère que celui que nous avions” (destaques meus).
Para que não fiquem dúvidas. Se precisarem, eu traduzo!
Politiquices
Agora que o Governo inicia funções de gestão, vamos lá resumir o que se passou:
- Há duas semanas – precisamente – Cavaco Silva arrasa o governo com o seu discurso de tomada de posse para novo – e final – mandato;
- Pedir ao jovens “que se façam ouvir” e comunicar ao governo que os portugueses já não aguentam mais sacrifícios - quando ele tinha que saber que ainda vamos ter muito que penar – foi o começo do fim;
- Logo no fim-de-semana seguinte, a geração à rasca junta-se com os seus iphones de 500€ e manifestam-se às centenas de milhar – alguns órgãos de comunicação social falam em 500 mil em todo o país;
- Na semana seguinte – ou seja, a semana passada – o ministro das finanças apresenta em Bruxelas um novo PEC – o famoso PEC IV – sem antes garantir duas coisas essenciais:
- Comunicação das medidas apresentadas ao Presidente da Republica;
- Garantia de aprovação das mesmas na Assembleia da Republica.
- Nenhuma das duas foi garantida abrindo feridas que se sabem agora serem inultrapassáveis;
- De dia 18 até ontem, o Presidente da Republica, não teve tempo de chamar Pedro Passos Coelho e José Sócrates e viu-se ultrapassado;
- Hoje, tal como anunciado, o PEC IV foi chumbado por toda a oposição – da direita à esquerda – não restando outro caminho ao Governo do que aquele que tomou – demitir-se o Primeiro Ministro.
E agora?
Agora é fácil. Vamos gastar 18 milhões de euros dos contribuintes em campanhas eleitorais e em Junho temos novo governo.
Seja quem for – Pedro Passos Coelho + Paulo Portas ou José Sócrates + ? – desejo que tenha mais sorte do que este que agora nos deixa.
A sorte dele será garantidamente o meu bem estar…
A sede de poder

Está marcado no calendário que hoje será o dia em que o Governo da Républica cairá do pedestal em que está e será marcada uma data para novas eleições.
Parece também que o nosso querido presidente diz que tudo isto aconteceu muito rapidamente e que não teve margem de manobra para actuar preventivamente. Como eu o compreendo. Não é a primeira vez, nem sequer a segunda e não será seguramente a última. A Maguia não o deixa vêgue televisão em casa à hoga do telejognal e pug isso não conseguiu segue pegueventivo.
Quem se ri de contente é o Passos Coelho e os seus pares.
Preparam-se para tomar de assalto um lugar que não é deles – curiosamente não se comprometem com coligações com o CDS antes das eleições, algo que deveria ser obrigatório para que o povo saiba quem pode colocar no poleiro – já avisou que isto está muito mal e que ainda vai piorar – terá sempre a desculpa que isto ainda estava pior do que pensavam e que por isso vão ter que reforçar as medidas de contenção – ding, ding, ding… sai um pacote de privatização para a saúde em Portugal – e quando a retoma finalmente vier – sim, há-de chegar – serão vistos como os salvadores da pátria.
Como não me considero (muito) estúpido, nem costumo ter (grandes) falhas de memória, digo já para não contarem comigo para dançar este baile.
Foto © José Goulão
(des)Governo
Expliquem-me lá como se tivesse 4 anos:
- Na sexta-feira, Governo apresenta um novo pacote de medidas de consolidação orçamental com o qual o PSD não concorda e que se limita a congelar pensões de 200€/mês.
- Hoje ficamos a saber que o Governo estuda a redução do IVA para alguns privilegiados.
Dou mais seis meses de vida a este governo.


last.fm