Archive for the ‘portugal’ Category
Melgaço – Feira do Alvarinho e do Fumeiro
À beira do abismo
imagem daqui
Não tem ainda um mês a ultima vez que Passos Coelho garantiu que Portugal não precisará de mais tempo nem pedirá mais dinheiro à troika.
Também na Grécia não seria preciso uma segunda ajuda e hoje, o governo de ocupação grego – colocado no poder pelo bloco central europeu e sem qualquer opinião ou consulta ao povo grego – já admite um terceiro. Na última quarta-feira, Dimitris Christolas, 77, suicidou-se em frente ao parlamento grego. A sua nota de suicido pode ser lida aqui.
Em Portugal, apesar das constantes garantias de Passos Coelho – em janeiro, fevereiro e março – a conjetura económica diz-nos que tal é uma inevitabilidade.
Em setembro de 2013, Portugal tem que pagar quase 10 mil milhões de euros em títulos da dívida pública. O dinheiro que temos vindo a receber da troika já não chegará. Significa que Portugal tem que ir aos mercados buscar esse dinheiro.
Acontece porem que os regulamentos do FMI determinam que esta instituição só possa libertar fundos no caso de existirem garantias de financiamento do país intervencionado pelo menos durante um ano. Antes de Setembro de 2012 o FMI vai ter de verificar se estas garantias existem ou não. Se o calendário for cumprido esta avaliação deverá ser feita na 4ª revisão do Programa da troica, em Junho de 2012. Faltam três meses.
Se a troica concluir em Junho próximo que não há garantias de “regresso ao mercado” antes de Setembro de 2012, o que é muito provável, o FMI condicionará a libertação das últimas tranches do empréstimo à negociação de um segundo programa – o tal que Krugman na sua visita a Portugal dizia que não deveríamos aceitar por nada deste mundo.
retirado daqui
Uma segunda ajuda a Portugal – que começa a ser preparada na comunicação social – será o prolongar da atual situação económica até, pelo menos 2018.
Estão a ver o atual memorando de entendimento? Acrescentem-lhe um novo com objetivos a 5 anos.
Por esta altura vale a pena recordar o rumo tomado pela Islândia. Em 2008 estavam na falência. Os três maiores bancos faliram no espaço de semanas levando consigo todo o sistema bancário. Ao contrário da Europa e dos Estados Unidos, os Islandeses fizeram algo impensável. Deixaram os seus bancos falir e deixaram os credores estrangeiros de mãos a abanar. Permitiram-se aquilo que nós, presos ao euro não podemos fazer. Deixaram a moeda enfraquecer, originando uma obrigatória subida da inflação – chegou ao 18.6% – mas aumentando as exportações e criando condições atrativas para o turismo.
Hoje, 3 anos depois, o desemprego está nuns aceitáveis 7% (Portugal chegou ao 15%), o turismo está a subir e a economia cresce.
Passaram um mau bocado? Certamente que sim.
Estão livres de problemas ou preocupações? Obviamente que não!
Mas têm uma luz ao fundo do túnel, coisa que nem gregos, portugueses, espanhóis, italianos ou irlandeses, podem dizer com segurança!
A confirmar-se uma segunda ajuda resta saber se os políticos deste país terão os colhões a coragem de escutar o povo e deixá-lo decidir sobre o futuro dos seus filhos e netos.
Produtividade

Deixem-me ver se percebo…
Hoje – ontem na realidade, mas não interessa para o caso – tive que ir a tribunal, prestar declarações como testemunha num processo.
O tribunal abre às 09h00, fecha às 12h30. Reabre às 14h30 e fecha às 16h (ou 16h30, não é importante agora). Começa logo com um excelente horário…
A chamada está marcada para as 09h30. Não aconteceu antes das 09h50.
O julgamento (ou processo ou lá como se chama à coisa) não começou antes das 10h00. Eram talvez umas 10h05 quando as primeiras testemunhas entraram para a sala de audiência.
As duas advogadas, o sr. dr. juiz e mais não sei quem, já tinham atividades marcadas para a parte da tarde.
Entre requerente e requerido, éramos umas 15 testemunhas.
Não era mais que esperado que, em pouco mais de 2h não conseguissem ouvir todas as pessoas notificadas? Extrapolando o tempo de julgamento para 3h, as 15 testemunhas que apareceram – sim porque ainda houve testemunhas que faltaram – teriam que ser ouvidas a um ritmo de menos de 15 mins por testemunha. Sem intervalos, ou perdas de tempo na chamada das mesmas…
Cabe na cabeça de alguém, eu e mais umas quantas pessoas termos perdido uma manhã inteira de trabalho, para estar num corredor de um tribunal, gelado, com frio, sem condições algumas para às 12h40 nos dizerem que temos que voltar em Março e que já não seríamos ouvido no dia?
Não era previsível que tal acontecesse a um conjunto de pessoas?
Havia de ser lindo ter todas as instituições – públicas e privadas – governarem-se à grande à custa do tempo dos outros…
Duas boas ideias
Lei da Cópia Privada
Disclaimer: não deve ser lido por olhos sensíveis e menores de 18 anos. O uso do calão é frequente. Não digam que não avisei…
Anda meio mundo escandalizado porque está hoje em discussão, na assembleia da républica (sem maíusculas), o Projecto de Lei 118/XII.
Como o outro meio mundo não faz a puta da ideia do que é o Projecto de Lei 118/XII, vou tentar explicá-la de forma simples.
Há um artigo qualquer de uma lei antiga como o caralho (vá lá, é de 98) que estabelece que, em alguns produtos, o preço deve ser agravado em x% para pagar a actores, artigas, interpretes, etc, mas que apenas quer dizer que é dinheiro reservado para a SPA.
Ora, agora, com a tentativa de aprovação do Projecto de Lei 118/XII, para além da revisão deste valor, incluem-se um conjunto de produtos que até agora não eram objecto da lei antiga como o caralho.
Vamos a exemplos.
- Taxa de 0,02€/GB para cada disco rígido com mais de 150Gb acrescido de 0,005€/GB para discos com capacidade a 2TB;
- Taxa de 0,06€/GB em discos multimédia;
- CD’s não regraváveis? 0,03€/GB;
- CD/RW? 0,05€/GB
- Memórias USB e outros suportes como cartões de memória integrados noutros dispositivos (exemplo, telemóveis): 0,06€/GB
- Impressoras:
- Até 9 p.p.m – 10€
- Mais de 70 p.p.m – 227€
Mas pior que isto tudo, é o Artigo 5º do Projecto de Lei.
Diz assim:
ARTIGO 5.°
(Inalienabilidade e irrenunciabilidade)
A compensação equitativa de autores, e de artistas, intérpretes ou executantes, é inalienável e irrenunciável, sendo nula qualquer cláusula contratual em contrário.
Tradução? Claro.
Eu, como autor que sou – afinal tenho um blog – posso (faço-o, ver em baixo) licenciar as minhas obras em Creative Commons e incentivar a reprodução das mesmas, não posso impedir a SPA de taxar sobre o meu material. Pior que isso, não tenho acesso, a não ser que seja sócio da SPA, a qualquer dividendo taxado sobre a minha publicação!!!
Isto, meus amigos, é roubo escancarado.
Dizer que uns engravatados quaisquer, em Lisboa ou noutra cidade qualquer, podem receber uns trocos à minha pála.
Dizer que, com a aprovação deste Projecto de Lei, sou tomado como um criminoso porque, estou a ser taxado por algo que posso nem sequer usufruir.
Outro exemplo: a lei diz que é ilegal qualquer cidadão circunscrever qualquer limitação que impeça a cópia de obras protegitas pelo direito de autor – vulgo DRM. Mas, se este projecto de lei for aprovado, estou a ser taxado pelo direito de fazer cópias privadas de algo que me é impossível realizar – um CD protegido com DRM!
Mandei ontem um mail aos grupos parlamentares com acento na assembleia da república (sem maiúsculas). Apenas o Bloco de Esquerda se dignou responder.
Hoje, Carlos Zorrilho, líder parlamentar da bancada do Partido Socialista, foi twittando sobre o assunto, e o Projecto de Lei 118/XII desceu à especialidade sem votação, o que não sendo uma vitória é melhor do que aquilo que era esperado para hoje, em que se chegou a equacionar – ironia da ironia – aprovar o Projecto de Lei na generalidade e corrigir “distorções ou injustiças” na especialidade. Assim tipo, à imagem de, fazemos agora a merda e depois de levarem com o cheiro, nós colocamos um perfume janota para se calarem.
Muito sinceramente, este país que amo não merece os políticos que (se) governam (dele). A mim, a medida pouco efeito terá. Já compro 99% do meu material informático online em lojas longe de PT. Para além do preço, consigo ter uma assistência técnica infinitamente superior.
Mas não é isso que me move. É o princípio. O princípio destes políticos da treta pensarem que são mais chico esperto neste país de chicos espertos. Os políticos da treta – para não chamar da merda – de acharem que podem sempre pedir um pouco mais a um povo que apenas lhes pedem que os deixem trabalhar em paz e sossego. De acharem que podem agradar a uns – SPA – esquecendo aqueles – muitos – que os elegem para onde estão… sim… os burros do eleitores…
Os incultos dos estudantes
Não querendo deixar passar a oportunidade, por estes dias já todos conhecem o vídeo que a revista Sábado (sem link que é para aprenderem) publicou por estes dias sobre um inquérito de 20 perguntas que fizeram a 100 alunos do ensino secundário.
Sumarizaram tudo num vídeo de 4 minutos onde mostram meia dúzia de estudantes que não sabem responder a algumas perguntas de cultura geral:
- Quem pintou o tecto da capela Sistina?
- Quem escreveu “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”
- Quem é Manoel de Oliveira?
Ou a melhor de todas, na minha opinião:
- Qual o símbolo químico da água?
Não há dúvida nenhuma que os jornalistas da Sábado fizeram um belo serviço ao país, não se mostrando no entanto disponíveis para responder a algumas questões, tais como:
- Se foram realizadas 2000 perguntas, qual a taxa de sucesso?
- Onde está o vídeo das respostas correctas?
- Se forem realizadas as mesmas 20 perguntas a 100 jornalistas diferentes, a taxa de sucesso será superior?
- Podemos fazer 20 perguntas a 100 jornalistas diferentes, editar as respostas mais esquisitas e colocar um vídeo na Internet a gozar com todos os jornalistas?
- Qual é o símbolo químico da água?
Eu não me sinto minimamente atingido com este vídeo, mas os jornalistas são os últimos a poder cantar de galo. Ainda para mais vindo do mesmo grupo que conta no seu portefólio com jornais como o Correio da Manhã ou o Record. Só pérolas…
SCUTs
Só para avisar que já vamos em quase de 400 dias que o Norte paga portagens nas SCUT’s e era suposto o resto do país ter portagens desde 15 de Abril. Dizem que o sr. Silva está a analisar a proposta e que tem dúvidas. Não me lembro das dúvidas dele no último trimestre de 2010… Provavelmente a culpa é da Maguia que não o acordou da longa soneca que tirou…
Entretanto continuam a existir portugueses de primeira e portugueses de segunda! Ou pagam todos ou não paga ninguém. É que desta vez, a desculpa de impedimentos técnicos já não cola…
Prémio de mérito?
Esperem.
Expliquem-me como se eu tivesse 2 anos.
Então, aquilo que se chama de prémio de mérito é substituído, a dois dias da entrega pela obrigatoriedade de entrega dos 500€ – uau, que fartura – a uma acção social apoiada pelo aluno meritório?
É isto ou percebi mal?
Deixo apenas uma ou outra questão, mas não percam tempo a responder:
- Se o prémio deixou de ser de mérito, porque não mudam o nome?
- Se o estado vai gastar o mesmo dinheiro, porque não é reconhecido o mérito?
- Qual é o bolo total gasto pelo estado no prémio
socialde mérito? - Porque razão se faz o estado substituir naquilo que deveria ser uma das suas preocupações primárias – a solidariedade social?
Podia continuar aqui a noite toda, mas não me apetece…
Façam um favor a todos, ganhem vergonha na cara, recuam na vossa intenção e premeiam quem tem mérito. Com 5, 50 ou 500€…





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