Falar antes ou depois do almoço

Já um conhecido ex-presidente de um clube de futebol dizia há uns anos: “Temos que saber se foi dito antes ou depois do almoço“.

É o que me apetece dizer de Jean-Claude Juncker, o presidente da comissão Europeia:

Juncker em Fevereiro:
Capture

Juncker ontem, em plena crise do Euro:
Capture

A verdade de Fevereiro não é a mesma em Junho?

Se eu fosse Grego

Grécia

Se fosse Grego, e tivesse que decidir o meu voto no referendo do próximo domingo, o que faria?

A verdade é que não sei e dou graças a Deus, por neste momento, não ser Grego.

Mas sei que o que os Gregos estão a passar agora será aquilo que nós Portugueses podemos passar daqui a uns meses… ou semanas…

A Grécia deveria pagar 1.6 mil milhões de euros ao FMI. Deveria também receber a ultima tranche da ajuda de 7 mil milhões de euros. Destes, praticamente nada entraria no país já que serviria para pagar… a bancos franceses e alemães 1.

Desde 2010 a economia da Grécia caiu 25%É verdade que os Gregos não têm ninguém a não ser d’eles mesmos de quem se queixar.
Andaram – tal como nós – anos a viver acima das possibilidades, com fuga aos impostos e improdutividade tal que chegaram ao ponto de não retorno e tiveram que pedir dinheiro.

Mas as condições impostas pela troika nos últimos 5 anos resultaram em quê? Previsões falhadas que deveriam envergonhar o caloiro economista acabado de sair da faculdade. Desespero, desemprego, depressão – um aumento de 35% de suicídios nos últimos 5 anos – e um aumento de 150% na prostituição 2, são estes os números que a troika tem para apresentar.

Sem moeda própria para poder controlar, nem sequer com capacidade de imprimir dinheiro e desvalorizar o mesmo nesta altura, não há muito que os Gregos possam fazer. O Euro chegou com um presente envenenado para a Grécia, e para todos nós: o fim da soberania nacional. Não por acaso, os suecos disseram não ao Euro em referendo.

Voltemos à Grécia… 75% da sua economia é interna3, pelo que uma eventual saída do Euro, embora dolorosa, não será catastrófica. Os restantes 25% da economia são efeitos do turismo que só beneficiará de uma moeda barata. Claro que a importação de alguns bens essenciais será mais cara, mas os Gregos estariam em condições de crescer economicamente, o que não acontecerá nos próximos anos com o Euro, seja com a troika ou sem troika.

Uma palavra final para os mercados. As dívidas publicas soberanas passaram a ser, nos últimos anos, uma forma rápida de foder os povos. Krugman perguntava há uns dias se o FMI sabia o que estava a fazer (no caso da Grécia) e responsabilizava-os directamente por uma possível saída da Grécia da eurozona. A verdade é que o falhanço da Grécia, não é um falhanço dos Gregos. É primariamente um falhanço do Euro como moeda e como ideologia. E, no limite, os Gregos recuperavam a sua soberania o que lhes pode permitir sonhar com crescimento. Que é um pouco mais que podemos dizer de nós próprios.

Se eu fosse Grego, se calhar, no domingo votava não, mas para isso é preciso tê-los no sítio e estar preparado para cair (ainda) mais.

A nova viragem económica

Caro Sr. Passos Coelho.

Aproveito a oportunidade para lhe agradecer a viragem económica de 2015.

De facto, ainda não tinha recuperado da viragem económica de 2014, que já se tinha seguido à de 2013 que por sua vez tinha sido a precursora da viragem de 2012.

Com tanta viragem eu sei que o Sr. apenas nos quer dizer que, consigo, ficamos na mesma.

Nós, os Portugueses votantes, agradecemos o esclarecimento.

Este slideshow necessita de JavaScript.

No meio disto tudo só falta anunciar que vai regressar à sua conta de Twitter e publicar algumas pérolas como:

ou

ou mesmo

Orçamento de Estado 2015

Sobre o orçamento de estado para 2015 só tenho uma pergunta:

Admiram-se agora se o povo diz que não acredita nos políticos?

Amanhã, que é como quem diz lá para Outubro do próximo ano, quando outros – deste partido ou de outro – ganharem as eleições e começarem a tomar decisões politicas com influência directa no orçamento de estado de governos que ainda estarão para ser eleitos (qualquer coisa do tipo, deixar aprovado em OE2016 que em 2024 será devolvido a cada português 10x mais aquilo que andaram a pagar nos últimos 4 anos) o que é a que as restantes forças politicas vão dizer?

OE2015
Jornal Ecnómico

Cara Maria Luís Albuquerque. Não insulte a inteligência dos Portugueses. Podemos ser pacifistas e moderados. Podemos perceber que só condicionam as opções financeiras e políticas do próximo governo se tudo aquilo que vocês projectam que corra bem, corra bem a dobrar. Mas que ninguém diga que a opção agora tomada não condiciona a execução do OE de 2016 que tem que ser preparada pelo novo governo constitucional que sairá das eleições legislativas do próximo ano.

Petição contra a Lei da Cópia Privada

Jorge Barreto Xavier

O sr. Secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, esteve muito ocupado neste verão, trabalhando em segredo na nova versão da Lei da Cópia Pirata…

Já falei da mesma mais abaixo, mas para quem não faz ideia do que falo, a Jonas, compilou uma FAQ sobre a mesma. É clicar e, garanto-vos, ficam sem dúvidas.

Chegou agora a hora de levantarmos os dedos dos Facebook e escrever meia dúzia de dados numa petição digital – daquelas que toda a gente diz que não dá em nada – mas que, desgraçadamente para a Canavilhas (Google for it), até surtiu efeito há dois anos, tempo da famosa PL118.

Agora para que fiques descansado quando, no momento da compra do teu novo iPhone 6+, em vez de pagares 999€ como os restantes europeus, pagares (sei lá, uns) 1.030€, só porque sim ou porque te pode apetecer colocar lá musicas que já comprastes, possas dizer de viva voz: “Fui enganado, não serviu de nada, mas estou de consciência tranquila pois eu assinei a petição!”.

Se não estás para aí virado, pelo menos partilha a mesma, pode ser que alguém conhecido se lembre de uma maluqueira qualquer e, sei lá, assine a mesma e isto até dê em alguma coisa.

Pelo sim, pelo não, aqui ficam mais uma vez dois links importantíssimos: a FAQ da Lei da Cópia Privada e a petição contra a mesma.

Agora depende de nós!

Os links de partilha nas redes sociais estão já aí em baixo. Abusem!

ps: a foto de cima foi retirada directamente do site do secretário de estado.

A lei da cópia privada

Sing Science!

Acabou de ser aprovado em conselho de ministros a proposta de lei referente à cópia privada.

Diz o sr. secretário de estado da cultura (SEC), Jorge Barreto Xavier, que esta é uma matéria complexa – não é – que as as pessoas têm dificuldade em perceber – não tem.

Eu explico… A SPA – sem link que é para se irem foder – que é uma suposta associação de representação dos autores está a ficar sem guito. Basicamente, sempre viveram à custa do trabalho dos autores, sem fazer nenhum, e à custa dos portugueses que suportam esses autores. Em mil novecentos e troca o passo, o Estado Português criou uma lei que permite a qualquer cidadão fazer cópias para uso exclusivo e privado das obras que tivesse comprado. Basicamente, eu podia comprar um CD do Tony Carreira, fazer uma cópia para cassete e ouvir o Carreira no carro. Para compensar os autores o Estado achou por bem colocar uma taxazita nas cassetes virgens que fossem compradas. Servissem essas cassetes para gravar o Carreira ou para gravar a filha da vizinha a cantar, a SPA mamava sempre.

O problema é que a queda de vendas de cassetes virgens tem estado em declínio há muitos anos. Vai daí um grupo de espertalhões no poder central – sejam PS, CDS ou PSD que eu cá não faço distinções – e nas associações que dizem representar os autores tiveram a brilhante ideia de atualizar a lista de componentes sujeitos a taxazita e, já que estavam com a mão na massa, atualizar os valores das ditas cujas.

Assim, agora, tudo o que tenha suporte digital vai mamar com taxa:

  • O cartão de memória para a sua máquina fotográfica: check
  • O disco duro para guardar os vídeos dos seus filhos: check
  • A impressora multifunções que tem lá em casa: check
  • O telemóvel que deu à avó e que tem memória: check
  • O aparelho da MEO que está lá em casa e que permite gravar “As manhãs do Gocha”: check

A lista é imensa e o SEC não percebe que não é o principio da lei que está errado – os autores devem ser compensados – e é por isso que ele acha que a matéria é complexa – já disse que não era?

O que o SEC não explica é porque é que os autores e as suas editoras não incluem esta compensação nas suas obras? Porquê?
Porque razão é que eu vou ter que pagar mais 25€ por um telemóvel apenas porque potencialmente posso querer colocar musicas no mesmo?

O que estes senhores não percebem é que é o país todo – e não apenas os autores – que vai perder.

A Lei diz que o PVP não deve ser alterado e devem ser as empresas importadoras a baixar as suas margens para pagar esta taxa – o que só por si, já seria motivo suficiente para fazer rir qualquer um não fosse isto um assunto demasiado sério.

Ora, isto mostra que, para o consumidor, não será aplicada qualquer outra taxa. Pagamos o produto mais o IVA, certo?
Significa que, para o consumidor, comprar um disco duro na loja da Worten vai ser exatamente igual como até aqui? Não!

Como isto não é um imposto ao consumo, as empresas não o podem passar diretamente para o cliente mas vão incluí-lo no preço de venda ao público, obviamente.

O que significa que os produtos que quiser comprar ficarão ainda mais baratos na amazon.es ou na computeruniverse.com (recomendo) do que comprar na loja da Worten ou Media Markt.

Significa que, não só os autores não vão ver puto do dinheiro que a SPA e amigos lhes prometem (nunca veem), como o estado vai ficar com outros problemas em mãos e ver fluxos de dinheiro a fugir do país.

Quem vier atrás que feche a porta…

Enfim, com políticos deste nível o que podíamos esperar para este país?

PS: Não confundir a proposta de lei agora aprovada com uma licença para pirataria informática. A proposta não permite a cópia indiscriminada de obras protegidas pelos direitos de autor e essa é outra discussão à parte que não convém misturar – e essa é uma das intenções da SPA.

O carrasco de Assunção Esteves

Já não escrevia aqui há meses. Meses.

Mas hoje, enquanto conduzia, ouvi na rádio os acontecimentos na Assembleia da República (AR)

Cerca de 60 pessoas, pediam a demissão do governo e interromperam o plenário.

No final, Assunção Esteves, enquanto pedia respeito para os deputados citou Simone de Beauvoir, chamando diretamente carrascos aos Portugueses e comparando-os aos opressores Nazis que invadiam França em plena II Guerra Mundial.

À doutora Assunção Esteves só tenho a dizer umas coisas:

  • Quem quer ser respeitado não pode ofender quem (não) lhe paga…
  • Não pode ter medo de ser julgada e avaliada diariamente. A AR é um espaço dos Portugueses e não admito que centena e meia de homens e mulheres se achem superiores aos restantes 10 milhões;
  • Não pode prescindir do lindo ordenado de 5.219,15€ que ser Presidente da AR lhe conferiria só para manter a reforma de 7.255€ que 10 anos no tribunal Constitucional lhe conferem, e não prescindir de 2.133€ de ajudas de custo.
  • Não pode, só porque ficou muito incomodada com meia dúzia de gritos, dizer que quer mudar as regras de acesso à galeria da AR.

Pois deixem-me terminar de uma forma clara, para que não fiquem duvidas.

Eu aqui, carrasco de Assunção Esteves me assumo e pela grave ofensa às dezenas de Portugueses que se manifestaram (mesmo sem ter o direito de o fazer) e a todos os Portugueses, só posso dizer: obviamente demita-se!

Se o primeiro cargo da democracia Portuguesa está ocupado por um velho inoperante – e que ontem se lembrou de colocar um carimbo de validade a um governo democraticamente eleito – o segundo cargo da hierarquia não pode estar ocupado por quem compara Portugueses com os carrascos Nazis. Não pode!!!

Ainda os carros do PS

Burros! São burros!

Pior que isso, tentam justificar-se e, surprise, cai-lhes tudo em cima – eu incluído, obviamente.

Carlos Zorrinho, líder parlamentar do PS, foi para o Facebook – remember PPC? – e aos seus amigos tentou justificar a escolha do grupo parlamentar do PS:

É dinheiro dos contribuintes? Claro que é. Mas quem quer uma democracia sem custos, o que verdadeiramente deseja é uma não democracia. Sem democracia os custos são ainda mais elevados mas ninguém sabe. Eu sou democrata e quero que tudo se saiba

Termina dizendo que abdicou:

de poder usar em serviço um BMW 5 para usar um Audi 5 porque era significativamente mais barato.

Vamos começar pelo início. Diz Zorrinho que é democrata e quer que tudo se saiba.

Vou fazer agora um pouco de serviço público e dizer directamente a Carlos Zorrinho que estou solidário com ele.

Quem há menos de dois anos encomendava, em nome de todos nós, Audi’s A6, ter que passar para  BMW série 5 e agora para um Audi A5, só por má fé pode ser acusado de despesismo. É claro como a água que a crise tem afectado Carlos Zorrinho. Passar de encargos mensais de 20.000€ para 3.700€ é claramente sinais incontornáveis da crise que afecta Carlos Zorrinho nas escolhas que ele decide fazer com o dinheiro de todos nós.

O que ninguém explicou a Carlos Zorrinho, a Nuno Assis e a outros deputados, é que tal como a grande maioria dos portugueses, se querem carro, comprem-no com o seu ordenado – que convenhamos não é nada de deitar fora quando comparado com os restantes portugueses.

Se se deslocam em representação oficial da Assembleia da Republica? Faça como eu. O Alfa tem um excelente serviço e agora até tem wifi grátis em primeira classe. O serviço de táxi desde a estação de comboios até à inauguração mais recente não é de descurar. Ficará certamente mais barato que aluguer de carro + motorista!

É demagogia barata? É, claro que sim!

Mas não me aumentem os impostos de forma brutal e esperem que me fique sem vos chamar ladrões. É o preço da democracia, sr. Zorrinho.