O carrasco de Assunção Esteves

Já não escrevia aqui há meses. Meses.

Mas hoje, enquanto conduzia, ouvi na rádio os acontecimentos na Assembleia da República (AR)

Cerca de 60 pessoas, pediam a demissão do governo e interromperam o plenário.

No final, Assunção Esteves, enquanto pedia respeito para os deputados citou Simone de Beauvoir, chamando diretamente carrascos aos Portugueses e comparando-os aos opressores Nazis que invadiam França em plena II Guerra Mundial.

À doutora Assunção Esteves só tenho a dizer umas coisas:

  • Quem quer ser respeitado não pode ofender quem (não) lhe paga…
  • Não pode ter medo de ser julgada e avaliada diariamente. A AR é um espaço dos Portugueses e não admito que centena e meia de homens e mulheres se achem superiores aos restantes 10 milhões;
  • Não pode prescindir do lindo ordenado de 5.219,15€ que ser Presidente da AR lhe conferiria só para manter a reforma de 7.255€ que 10 anos no tribunal Constitucional lhe conferem, e não prescindir de 2.133€ de ajudas de custo.
  • Não pode, só porque ficou muito incomodada com meia dúzia de gritos, dizer que quer mudar as regras de acesso à galeria da AR.

Pois deixem-me terminar de uma forma clara, para que não fiquem duvidas.

Eu aqui, carrasco de Assunção Esteves me assumo e pela grave ofensa às dezenas de Portugueses que se manifestaram (mesmo sem ter o direito de o fazer) e a todos os Portugueses, só posso dizer: obviamente demita-se!

Se o primeiro cargo da democracia Portuguesa está ocupado por um velho inoperante – e que ontem se lembrou de colocar um carimbo de validade a um governo democraticamente eleito – o segundo cargo da hierarquia não pode estar ocupado por quem compara Portugueses com os carrascos Nazis. Não pode!!!

Ainda os carros do PS

Burros! São burros!

Pior que isso, tentam justificar-se e, surprise, cai-lhes tudo em cima – eu incluído, obviamente.

Carlos Zorrinho, líder parlamentar do PS, foi para o Facebook – remember PPC? – e aos seus amigos tentou justificar a escolha do grupo parlamentar do PS:

É dinheiro dos contribuintes? Claro que é. Mas quem quer uma democracia sem custos, o que verdadeiramente deseja é uma não democracia. Sem democracia os custos são ainda mais elevados mas ninguém sabe. Eu sou democrata e quero que tudo se saiba

Termina dizendo que abdicou:

de poder usar em serviço um BMW 5 para usar um Audi 5 porque era significativamente mais barato.

Vamos começar pelo início. Diz Zorrinho que é democrata e quer que tudo se saiba.

Vou fazer agora um pouco de serviço público e dizer directamente a Carlos Zorrinho que estou solidário com ele.

Quem há menos de dois anos encomendava, em nome de todos nós, Audi’s A6, ter que passar para  BMW série 5 e agora para um Audi A5, só por má fé pode ser acusado de despesismo. É claro como a água que a crise tem afectado Carlos Zorrinho. Passar de encargos mensais de 20.000€ para 3.700€ é claramente sinais incontornáveis da crise que afecta Carlos Zorrinho nas escolhas que ele decide fazer com o dinheiro de todos nós.

O que ninguém explicou a Carlos Zorrinho, a Nuno Assis e a outros deputados, é que tal como a grande maioria dos portugueses, se querem carro, comprem-no com o seu ordenado – que convenhamos não é nada de deitar fora quando comparado com os restantes portugueses.

Se se deslocam em representação oficial da Assembleia da Republica? Faça como eu. O Alfa tem um excelente serviço e agora até tem wifi grátis em primeira classe. O serviço de táxi desde a estação de comboios até à inauguração mais recente não é de descurar. Ficará certamente mais barato que aluguer de carro + motorista!

É demagogia barata? É, claro que sim!

Mas não me aumentem os impostos de forma brutal e esperem que me fique sem vos chamar ladrões. É o preço da democracia, sr. Zorrinho.

Curtas do dia

Curta #1

Pedro Passos Coelho demite uma das suas 11 secretárias por abuso de poder.

Onze? Onze?!?!

 

Curta #2

 Partido Socialista investe 210.000€ em 4 novos automóveis.

Carros de 60.000€ para os senhores deputados ali do canto, oh faz favor!!!

E querem estes mamões ser governo. Boa sorte!

 

Curta #3

Golfe dos deputados não sofre cortes em 2013.

Sim, nós pagamos para os senhores deputados poderem jogar golfe, preferencialmente às sextas, em dia de plenário que isso é uma chatice. Só são 57.000€. Não dá nem para um dos A5 de 60.000€ que o PS vai comprar (ver curta #2).

 

Ia etiquetar isto em políticos, mas prefiro em ladrões. Faz mais sentido!

As cigarras e as formigas

Miguel Macedo, é o Ministro da Administração Interna.

Bracarense, ex dirigente da JSD – já vos disse que ao contrário de outros pais eu não quero que os meus filhos sejam desportistas, ou médicos ou engenheiros, mas sim que se inscrevam numa jota? Qualquer jota desde que seja a JS ou a JSD, pois a possibilidade de se vir a governar no futuro – não confundir com governar o país – é enorme.

Mas adiante. Dizia eu, que Miguel Macedo é bracarense, ex JSD, ex vereador da CM Braga – concorreu em 1993 e 1997 contra Mesquita Machado, sendo derrotado das duas vezes – ex líder parlamentar do PSD e agora ministro. Brevemente, ex-ministro.

Dizia ele ontem que Portugal não pode ser um país de muitas cigarras e poucas formigas.

Já deu para perceber que é perito em ser ex alguma coisa. Tanto assim é que a declaração de ontem, já é (quase) ex hoje.

O que Miguel Macedo, desculpem, Dr. Miguel Macedo quis dizer é que o povo não pode continuar a manter estes políticos profissionais que não produzem nada ao longo de uma vida inteira. Levam-nos tudo, hipotecam o futuro do país em negócios ruinosos – alguém já ouviu falar em dívida odiosa? – que agora obrigam o país a pagar as dívidas privadas que alguns políticos fizeram questão de nacionalizar.

O povo – as formigas na palavras de Miguel Macedo – tem que trabalhar mais para manter as poucas cigarras.

Há gente que não tem vergonha na cara. Há gente que pensa que pode continuar a puxar o tapete. A esticar a corda. A pedir continuados sacrifícios.

Um dia em vez de termos estes políticos a governarem-se teremos algumas formigas a governar o país.

Um dia veremos as formigas deste país colocar os políticos corruptos as cigarras a contas com a justiça por aquilo que fizeram, e continuam a fazer, a este belo país.

Um dia as formigas deste país terão a sua pátria de volta. Ou pelo menos deixem-me sonhar.

16 de Setembro: e agora?

Foto de Nuno Botelho, Semanário Expresso, retirada de bitaites.org

Pronto! O povo saiu à rua. Manifestou-se. Gritou palavras de ordem. Foi ordeiro. No final sentiu-se melhor.

Sentiu-se melhor porque viu que os dramas individuais de cada um afectam também os vizinhos. No sábado não houve qualquer divisão social. Não se viram jovens de um lado e reformados de outro. Ou desempregados versus intelectuais. Não. Vimos um povo de mão dada a querer lutar por um país melhor. A querer deixar aos seus filhos um país melhor do que aquele que têm hoje.

É verdade que nem todos sabiam contra o que estavam a protestar. Ou, se quisermos ser mais justos, nem todos estavam a protestar pelas mesmas razões. Mas isso não é necessariamente mau.

Na minha opinião há duas coisas distintas em cima da mesa: o governo em funções e os sacrifícios que esse mesmo governo pede ao seu povo para fazer por ele:

O governo

Penso já há algum tempo que Pedro Passos Coelho não tem unhas para tocar esta guitarra. O problema é que Seguro muito menos. A queda do governo, nesta altura será catastrófica para o país pois, apesar de tudo, precisamos do dinheiro da troika para financiar a actividade corrente. A alternativa passa por termos a função pública com ordenados em atraso, ou pior ainda a saída do Euro. O que fazer então? Não tenho grandes respostas às minhas próprias questões, mas a solução poderá passar pelo Presidente da República por muito apático ou ausente possa parecer nesta altura. Um governo de iniciativa presidencial com os dois maiores partidos a governar sobre o olhar atento do país e do Presidente, pode ser uma solução. Sem Coelho e muito provavelmente sem Seguro nem Portas. Por outro lado, foi isso que vimos na Grécia nos últimos meses, e a solução lá, tanto quanto nos é dado a saber, não melhorou muito – 13h/dia durante 6 dias por semana é o próximo passo para o escravo povo grego e é aquilo que nos espera num futuro não muito distante.

Os sacrifícios

Primeiro o disclaimer. Estamos nesta situação por culpa própria. Tivemos um aldrabão, mentiroso e corrupto a (des)governar o país durante 8 anos. Nesse período embarcamos em aventuras que não eram possíveis de realizar. Fizemos estradas que ninguém usa e hospitais que ninguém quer pagar. Salvamos bancos da bancarrota e que vendemos  por tuta e meia assumindo as suas dívidas. Temos governantes que assinaram contratos em nome do estado com empresas das quais hoje fazem parte do conselho de administração. Contractos que são quase impossíveis de rasgar. Veio a ajuda da troika e os sacrifícios obrigatórios.

Entretanto, na sexta-feira, dia 7, Pedro Passos Coelho lança uma bomba e vai ao teatro não sem antes passar pelo Facebook. É neste momento que perde o país. As medidas anunciadas na terça-feira passada, apesar de acertadas, objectivas e necessárias já ninguém as ouviu. Portugal já não quer austeridade. Nenhuma austeridade. Nem mesmo a necessária ou a obrigatória. A verdade é que não podemos fugir da mesma. Temos compromissos que temos que honrar.

Agora, só há uma forma de este governo, ou de qualquer outro governo, reconquistar o seu povo. Anunciar o início de investigações que visem trazer à justiça todos os políticos que “ajudaram” o país a chegar ao estado que está. Sejam políticos que compraram submarinos que não se aguentam em alto mar, sejam políticos que estão em Paris a tirar cursos de Filosofia  ou sejam políticos que estejam no conselho de administração de empresas cotadas no PSI 20 e com as quais o governo tem parcerias. Sejam políticos no activo ou políticos que passaram pela governação há 20 anos. Todos. Todos eles, qualquer que seja a sua cor partidária e sem qualquer excepção.

Todos e quaisquer um destes governantes ou ex-governante deve sentir que as decisões que tomaram enquanto responsáveis políticos não serviram apenas para encher os bolsos – os seus e os dos seus amigos. Devem ser os primeiros a temer que a justiça pode tardar mas deve chegar. A alternativa é a lei da selva que temos hoje imposta no país. A impunidade cada vez maior com que cada um dos nossos políticos – nacionais ou regionais – se governa há custa dos sacrifícios daqueles que eles dizem governar.

Antes de qualquer medida que tente remediar o mal que está feito, os governantes deste país devem olhar para o seu povo e perceber que os mesmos estão mesmo dispostos a sacrifícios. Que amam o país onde nasceram , habitam e trabalham. Mas não estão dispostos a que um conjunto de indivíduos lhes roube toda a esperança. E é só isso que eu, enquanto povo, preciso. Foi essencialmente isso que os portugueses, cada um à sua maneira, pediram no sábado: esperança!

Querem um exemplo do que não deve ser a política? Vejam aqui.

Incompetentes! IN-COM-PE-TEN-TES!

O título desta entrada estava programada para ser “P’rá puta que os pariu!”. Felizmente, fui educado a não usar palavrões pelo que uso um adjectivo bem mais simpático.

Vamos lá ver se percebo – não percebo, mas escrevendo pode ser que alguém me explique:

  • Sexta-feira, 7 de Setembro, Pedro Passos Coelho, a besta, anuncia um aumento de 63% naquilo que eu já pagava para a segurança-social; Nenhum corte na despesa; Nenhuma explicação de como vai atingir o défice deste ano ou do próximo;
  • Terça-feira, 11 de Setembro, Victor Gaspar, anuncia mais uma série de medidas austeras entre as quais a eliminação de escalões de IRS o que fará com que  muitos portugueses paguem ainda mais impostos; Desloca-se à SIC Notícias é trucidado por José Gomes Ferreira – um dos últimos jornalistas alinhados à direita que ainda estava ao lado do governo – e indica que não haverá mais medidas para 2012 e 2013;
  • Ontem, dia 12, Victor Gaspar vai ao parlamento. Pelo meio lança a bomba de que podem chegar ainda mais medidas temporárias para controlo da despesa. Lembro que no meio das medidas temporárias para controlo da despesa, só cá em casa já se foram 5% do ordenado da Filipa, 50% acima do ordenado mínimo meu e da Filipa no subsídio de Natal do ano passado, um subsídio de férias deste ano da Filipa. Isto são as medidas temporárias que têm sido anunciadas pelo governo desde que tomou posse. Medo portanto.

Pergunto agora eu a estes grandessíssimos incompetentes se o objectivo é acabar de vez com o País? Julgam que alguém consegue gerir um orçamento familiar sem saber com o que conta amanhã? Ou pensam vossas excelências que o povo português pode abrir as goelas e pedir que o dinheiro lhe seja entregue de mão beijada?

Desculpem que vos diga mas são uns incompetentes. Aliás, desculpem o caralho (ups!) que nada fiz de mal para vos pedir desculpa.

São uns amadores ou, pior, uns habilidosos corruptos, porque, ou não sabem fazer as coisas ou sabem perfeitamente o que estão a fazer e estão a cagar para o povo que dizem governar.

As surpresas que vossas santidades têm preparadas para o povo e para o país são diárias.
Nenhuma empresa do mundo - nenhuma – há-de querer investir em Portugal agora. Não é possível governal – ou ficaria melhor destruír? – um país desta forma. Sem rumo! Sem certezas! Sem uma orientação! Sem esperança!

No meio disto tudo Manuela Ferreira Leite consegue colocar-se mais à esquerda que o próprio Bloco de Esquerda ou o PCP, Mário Soares só não vai à manifestação de sábado porque “tem que ir ao Algarve” e ninguém sabe nada do Paulinho das Portas, o amigo da coligação há quase uma semana.

Ah, e quase me esquecia. Cavaco – sim eu sei, é um amigo de estimação antigo por aqui – o homem que, cheio de coragem, interrompe as férias de verão de 2008 para fazer uma comunicação ao país por causa do novo estatuto dos Açores não consegue perceber que tem o país a saque e o povo indignado e não nos consegue – a nós, o povo – dizer uma palavra? Eu não estava à espera de nada – deixei-o bem claro várias vezes por aqui – mas os 2,231,956 de Portugueses que votaram nele se calhar esperavam outro tipo de atitude.

Sobre o Seguro não vou falar. Não porque não tenha algo para dizer, mas sim porque acho que não vale a pena e é tempo perdido (meu). Se for Seguro que o futuro nos reserva… espero estar enganado…